A tarde desta segunda-feira (16) foi marcada por cenas de exaustão e revolta na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Centro, em Londrina. Pacientes relataram esperas que ultrapassaram as oito horas, resultando em pessoas aguardando sentadas em escadas e até deitadas no chão. A superlotação foi tão crítica que muitos usuários precisaram esperar do lado de fora do prédio por falta de assentos na recepção.
Durante o período de espera, situações de emergência foram registradas pelos próprios pacientes. Um vídeo mostra o momento em que um homem passa mal e desmaia dentro da unidade após horas de aguardo; somente após o episódio ele foi priorizado para o atendimento médico. Outros relatos incluem o de idosos e portadores de doenças crônicas que, debilitados pela demora e pelo jejum, chegaram a desistir do atendimento.
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que a equipe de 13 médicos escalada para o turno estava trabalhando integralmente, mas admitiu que o volume de profissionais não foi suficiente para absorver a demanda. Segundo a prefeitura, as segundas-feiras apresentam historicamente um aumento na procura. No balanço da tarde, 76 pacientes aguardavam atendimento, sendo 13 classificados como urgentes e um como emergência.
A administração municipal ressaltou que o fluxo segue o protocolo de Manchester, que prioriza o risco clínico em detrimento da ordem de chegada. No entanto, a principal queixa dos usuários foi a falta de transparência e informações sobre a previsão de atendimento para casos que, embora não classificados como gravíssimos, apresentavam sintomas agudos de dor e mal-estar.