A superlotação e a falta de efetivo estão aumentando a tensão dentro da Penitenciária Estadual Thiago Borges de Carvalho, em Cascavel. Denúncias de familiares de presos e de profissionais que atuam na unidade apontam para uma rotina marcada pela sobrecarga e pelo temor de uma nova rebelião.
Segundo os relatos, o problema vai além da falta de espaço. A penitenciária, que teria capacidade para cerca de 900 detentos, atualmente abriga mais de 1,8 mil presos, praticamente o dobro do limite previsto.
A situação também preocupa os trabalhadores. Agentes terceirizados relatam que estariam sendo submetidos a funções que vão além das atividades inicialmente previstas, incluindo contato direto com presos e participação em transferências entre galerias. Os profissionais também denunciam suposta pressão de superiores quando questionam essas atribuições.
Do outro lado, familiares de detentos relatam preocupação com as condições da unidade, incluindo episódios de agressão e dificuldades relacionadas à proteção das pessoas privadas de liberdade.
Diante do cenário, a Defensoria Pública chegou a solicitar a suspensão da entrada de novos presos na penitenciária. O pedido, no entanto, foi negado.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB também acompanha a situação. Integrantes realizam visitas à unidade e solicitam providências diante das condições encontradas.
A superlotação é um problema que afeta todo o sistema prisional de Cascavel. O município conta atualmente com duas unidades prisionais, enquanto a população e, consequentemente, a demanda por vagas continuam crescendo.
Como alternativa para desafogar o sistema, o Governo do Paraná confirmou a construção de uma nova penitenciária em Cascavel, com capacidade para aproximadamente 1,5 mil detentos. Ainda não há, porém, uma data definida para o inicio e conclusão da obra.
O governo também informou que as denúncias apresentadas serão acompanhadas e que as providências necessárias serão adotadas.
O cenário coloca em evidência um desafio que envolve segurança, estrutura e ressocialização. Com uma unidade funcionando acima da capacidade, o alerta não se restringe aos presos: também envolve os profissionais que trabalham diariamente no local e a própria segurança da unidade.
A equipe Tarobá esteve na Penitenciária Estadual de Cascavel e acompanhou de perto a situação. Na reportagem que será exibida amanhã, serão mostrados detalhes da estrutura e da rotina dentro da unidade, em um olhar sobre os desafios enfrentados pelo sistema prisional.