Cerca de mil pessoas foram afetadas pelo vendaval que atingiu Tamarana, no Norte do Paraná, na noite de 21 de setembro. O temporal provocou destelhamentos, danos em imóveis e interrupções no fornecimento de água e energia elétrica.
Um levantamento preliminar realizado pela Prefeitura de Tamarana e pelas Defesas Civis municipal e estadual aponta que 40 pessoas perderam pertences, como colchões, móveis, eletrodomésticos e roupas. Além disso, 15 imóveis foram completamente destruídos.
As localidades mais atingidas foram a Ocupação Bom Pastor, o Parque Industrial, o Parque Jardim Juny e a Vila Rural II.
Moradores precisam de ajuda
Diante dos estragos, moradores e entidades religiosas organizaram uma campanha para arrecadar alimentos não perecíveis e produtos de higiene. As roupas, neste momento, não são consideradas itens de necessidade emergencial.
O principal ponto de coleta é o salão paroquial, na Rua Evaristo Camargo, 143, em Tamarana. O local recebe doações desde as 8h desta segunda-feira (28).
Em Londrina, a Cáritas Diocesana, no Centro de Pastoral Jesus Bom Pastor, também recebe doações na Rua Dom Bosco, 145.
Durante a mobilização, uma das colaboradoras, que preferiu não se identificar, relatou a situação enfrentada pelas famílias.
“Eu cheguei lá para ajudar e pensaram que estava levando comida”, contou.
Ela também relatou ter sido abordada por uma criança que perguntou se as pessoas estavam levando comida.
Casas permanecem destelhadas
Os ventos registrados durante o temporal provocaram danos em diversas residências. Em Tamarana, a estimativa é de que 40 casas ainda estejam destelhadas, deixando cômodos expostos à chuva e às condições climáticas.
Para atender emergencialmente as famílias, a Defesa Civil e a Prefeitura disponibilizaram 1.500 telhas de fibrocimento. A distribuição começou na quarta-feira (23), dois dias após o vendaval, priorizando imóveis com destelhamentos parciais ou totais.
As equipes municipais também atuam na recuperação das vias. Segundo relatos de moradores, trabalhadores das secretarias de Obras e de Agricultura chegaram a solicitar serras elétricas emprestadas para remover árvores que caíram sobre ruas e residências.
Água e energia
O vendaval também provocou interrupções no fornecimento de água e energia elétrica. Parte dos moradores da Vila Rural II permaneceu cinco dias sem os serviços. Segundo relatos, a normalização ocorreu na sexta-feira (25).
Prefeitura trabalha para decretar emergência
De acordo com Ricardo Maia, coordenador da Defesa Civil de Tamarana, a Prefeitura trabalha para formalizar um decreto de emergência, que poderá viabilizar o acesso a recursos estaduais para a recuperação dos danos.
Segundo Maia, as equipes municipais foram mobilizadas desde o início da ocorrência para atender a população. Antes da formalização do decreto, porém, é necessário registrar, apurar e catalogar os prejuízos provocados pelo vendaval.
A expectativa informada pelo coordenador é concluir os procedimentos necessários para a publicação do decreto em menos de dois dias. A medida, no entanto, não garante a liberação imediata de recursos.
Danos também atingiram serviços públicos
Na zona rural, a Secretaria de Agricultura acompanha prejuízos em estufas, barracões, granjas e leiterias, incluindo danos à estrutura produtiva e mortalidade parcial de aves.
Na área da saúde, quatro unidades municipais tiveram danos estruturais. As UBS Edson Siena e Iracema Decol tiveram os atendimentos temporariamente suspensos para reparos. A Vigilância Sanitária e a UBS Plínio Pereira de Araújo também apresentaram avarias.
A prefeita Luzia Harue Suzukawa acompanhou as vistorias na Ocupação Bom Pastor e conversou com moradores atingidos. Conforme a administração municipal, o monitoramento e as ações de recuperação continuam nas áreas afetadas.