O clima de tensão no Oriente Médio já começa a preocupar produtores rurais no Paraná. O cenário acendeu o alerta para o risco de desabastecimento e para uma possível alta no preço do diesel. Em algumas regiões do estado, já há relatos de falta de combustível, e o campo foi um dos primeiros setores a sentir os reflexos.
A guerra na região tem provocado impactos na economia mundial, principalmente por causa do petróleo, matéria-prima utilizada na produção de combustíveis como o diesel.
Grande parte do petróleo que abastece o mercado global passa por uma rota estratégica conhecida como Estreito de Hormuz. Cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo atravessa esse ponto. Com o aumento das tensões na região, cresce o risco de interrupções no fornecimento e de elevação nos preços.
Esse cenário afeta diretamente o agronegócio. O diesel é um dos principais insumos da produção agropecuária, utilizado para abastecer tratores, colheitadeiras e também os caminhões responsáveis pelo transporte de grãos, ração e outros insumos.
De acordo com levantamento do Sistema FAEP, cerca de 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira vem de combustíveis fósseis, principalmente o diesel. Segundo o Sindicato Rural de Cascavel, os primeiros reflexos dessa instabilidade já começam a ser percebidos.
No Brasil, mais de 60% de toda a carga é transportada por rodovias. Além disso, quase 30% do diesel consumido no país é importado, o que aumenta a dependência do mercado internacional e torna o setor ainda mais vulnerável a crises externas.