Em entrevista ao programa Brasil Urgente (TV Tarobá) na noite desta sexta-feira (2), o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, falou sobre a situação financeira do município e as medidas adotadas para conter o déficit. O prefeito afirmou que a Prefeitura atravessa um momento crítico, mas descartou classificar as contas como “quebradas”. Segundo ele, a prioridade da administração é garantir o pagamento dos servidores e do 13º salário.
Durante a entrevista, Tiago Amaral afirmou que Londrina iniciou 2025 com um desequilíbrio orçamentário próximo de R$ 300 milhões. Segundo a administração municipal, parte desse valor foi reduzida ao longo do ano com medidas de contenção, fazendo com que o déficit de 2025 terminasse em aproximadamente R$ 81 milhões. Para 2026, a Prefeitura projeta um déficit de R$ 205 milhões, resultado da soma desse valor com uma frustração de receitas estimada em R$ 124 milhões.
Contas e medidas de contenção
Ao explicar as origens do problema, o prefeito atribuiu parte do desequilíbrio a decisões tomadas em administrações anteriores e afirmou que o município passou a gastar acima da capacidade de arrecadação a partir de 2023. Tiago também citou recursos extraordinários recebidos durante a pandemia e o aumento da arrecadação com o IPTU como fatores que, segundo a atual gestão, contribuíram para uma maior disponibilidade de caixa em anos anteriores.
O prefeito afirmou ainda que a administração já revisou contratos e adotou medidas para reduzir despesas. Segundo ele, a revisão de contratos resultou em uma economia de aproximadamente R$ 40 milhões, além de ações envolvendo frota, horas extras, imóveis, serviços terceirizados e outros gastos administrativos. A Prefeitura também informou que medidas de cobrança e fiscalização de receitas estão sendo adotadas para ampliar a arrecadação. A administração divulgou, entre outras medidas, revisão de contratos, controle de horas extras, otimização da frota e redução de imóveis locados.
Outro ponto abordado foi o comprometimento da receita corrente com despesas do município. Tiago Amaral afirmou que Londrina compromete atualmente cerca de 95% da receita corrente com custeio e estabeleceu como meta chegar a 90%. Na avaliação apresentada pelo prefeito, a redução desse percentual é necessária para recuperar a capacidade financeira e evitar que novas despesas comprometam os próximos exercícios.
Transporte coletivo
O transporte coletivo foi apontado pelo prefeito como um dos principais pontos que precisam ser revistos. Tiago Amaral questionou o volume de recursos destinados ao sistema e afirmou que a queda na demanda fez com que parte dos ônibus circulasse com baixa ocupação. A Prefeitura informou que o subsídio previsto para o transporte em 2026 é de cerca de R$ 177 milhões, enquanto o custo total da operação foi estimado em aproximadamente R$ 312,9 milhões.
Segundo Tiago, a administração pretende reduzir o custo do sistema sem interromper o serviço prestado à população. Entre as medidas apresentadas pela Prefeitura estão a revisão da operação e a adequação da quantidade de viagens e dos intervalos de acordo com a demanda. A gestão afirma que o objetivo é diminuir os repasses municipais e tornar o transporte financeiramente sustentável. A proposta apresentada pela CMTU prevê ajustes na operação de linhas com baixa demanda.
Questionado sobre a possibilidade de aumento do IPTU em 2027, o prefeito afirmou que a estratégia adotada neste momento é priorizar a redução das despesas, e não elevar impostos. Tiago Amaral disse que a orientação dada à equipe é buscar o enxugamento da estrutura municipal e melhorar a relação entre arrecadação e gastos antes de discutir novos aumentos de tributos.
Ao final da entrevista, o prefeito voltou a defender a necessidade de responsabilidade fiscal e afirmou que pretende chegar ao próximo ano com as contas municipais reorganizadas. Tiago também destacou a necessidade de participação da iniciativa privada em projetos da cidade e confirmou uma disposição para discutir, junto aos comerciantes, ações para movimentar o comércio da região central, especialmente o Calçadão e a Rua Sergipe.