Na próxima segunda-feira (18), a partir das 14h, poderá ser escrito um dos capítulos mais marcantes da história política de Toledo. A Câmara Municipal deverá votar o processo de cassação dos vereadores Edimilson Dias Barbosa, o “Dudu Barbosa”, e Valdomiro Nunes Ferreira, o “Valdomiro Bozó”, afastados pela Justiça após serem acusados pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) de solicitarem propina no valor de R$ 300 mil para a aprovação de um projeto de lei relacionado à implantação de uma Central Geradora Hidrelétrica (CGH) no Rio São Francisco, na Estrada da Usina.
O Ministério Público do Paraná requereu o afastamento cautelar dos parlamentares, medida posteriormente deferida pelo Poder Judiciário, no âmbito de investigação pelo crime de corrupção passiva. A decisão foi expedida pela 1ª Vara Criminal de Toledo no dia 2 de agosto de 2025, atendendo pedido formulado pela 4ª Promotoria de Justiça da comarca. Conforme as investigações, no dia 31 de outubro de 2024, os vereadores teriam solicitado o valor de R$ 300 mil à empresa interessada no empreendimento, que mantinha tratativas com o Município de Toledo para viabilização da obra.
Mesmo afastados das funções parlamentares, os dois vereadores continuam recebendo os salários normalmente, assim como seus assessores vinculados aos gabinetes. Desde o afastamento, o caso teve diversos desdobramentos judiciais e políticos, incluindo a audiência de instrução realizada em janeiro deste ano, quando testemunhas e investigados foram ouvidos pela Justiça.
Ao longo dos últimos meses, Dudu Barbosa e Valdomiro Bozó também tentaram retornar aos cargos por meio de diferentes recursos judiciais. No entanto, os pedidos apresentados pelas defesas foram rejeitados em sucessivas decisões nas diferentes instâncias do Judiciário paranaense, mantendo-se o entendimento pela continuidade do afastamento cautelar durante o andamento da ação penal.
Na esfera política, porém, o avanço do processo disciplinar na Câmara Municipal encontrou dificuldades. A denúncia foi recebida pelo Legislativo em agosto de 2025 e, desde então, o caso passou por uma série de debates, recursos e questionamentos jurídicos. Nesse período, foram negadas medidas liminares, mandados de segurança e outros pedidos que buscavam interromper o andamento das investigações internas.
No último dia 4 de maio, foi publicado o acórdão do Tribunal de Justiça do Paraná que manteve o afastamento dos parlamentares, reforçando o entendimento de que ainda persistem os fundamentos para a medida cautelar.
Faltava, então, o avanço político do caso dentro do Legislativo municipal. Isso ocorreu nesta semana, quando a Câmara finalmente marcou a sessão que irá analisar o relatório do Conselho de Ética e decidir sobre a possível cassação dos mandatos. A votação está marcada para a próxima segunda-feira (18) e deve mobilizar o meio político e a comunidade toledana em uma das sessões mais aguardadas e emblemáticas dos últimos anos.