Um ano após a regulamentação do serviço, o número de patinetes elétricos em circulação pelas ruas de Londrina aumentou cinco vezes. O serviço foi autorizado a funcionar em dezembro de 2024, mas de forma precária e experimental. A regulamentação, por decreto municipal, ocorreu apenas em março de 2025 e o primeiro chamamento público realizado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) foi em abril do ano passado. Desde o início do serviço na cidade, o número de equipamentos saltou de 114 para os atuais 600. Os pontos de estacionamento também aumentaram significativamente, passando de 100 para 810 locais, um crescimento de quase oito vezes.
O veículo está se transformando rapidamente num novo modal de transporte, pela praticidade de operação e pela micromobilidade importante para auxiliar no trânsito dos cidadãos. Para Fernando Porfírio, diretor de Transporte da CMTU, que faz a gestão do serviço, “a implantação e regulamentação da utilização de patinetes foi um passo importante para o atendimento da micromobilidade dos munícipes”.
Inicialmente, o londrinense utilizou o serviço quase que exclusivamente para diversão. Hoje, quase um ano após a regulamentação definitiva, percebe-se a mudança de cultura e o que era uma diversão se tornou uma alternativa rápida e prática para pequenos deslocamentos. “O fato da significativa ampliação da área de abrangência do serviço contribui muito para essa virada de chave”, destacou o diretor da CMTU.
Ainda segundo ele, vale destacar que “a população entendeu e incorporou os hábitos, a versatilidade e o propósito daquele veículo no contexto do transporte urbano, prova disso é que o aumento significativo da área de atuação e do número de patinetes em momento algum causou conflito com o transporte coletivo, por exemplo, uma vez que este também apresentou aumento no número de usuários no mesmo período”, ponderou Porfírio.
O serviço em Londrina é ofertado pela JET Sharing (JET Brasil Patinete) e o contrato é renovado anualmente. Pelo modelo de Chamamento Público construído pela CMTU, outras empresas podem se candidatar e oferecer a atividade a qualquer momento, formando assim uma concorrência no serviço.
Hoje o patinete interliga as regiões do Centro, Oeste e Sul, e em breve serão conectadas às regiões Leste e Norte. “A ideia é expandir pra zona Leste e já estamos aguardando autorização para isso. Na zona Norte temos o projeto de começar pela Saul [Avenida Saul Elkind]. A gente recebe muitas demandas e pedidos pra abrir lá, mas precisamos ir chegando aos poucos para os usuários conseguirem se conectar às outras regiões, e, no momento, a Saul estaria isolada”, explicou a representante da JET em Londrina, Tatiane Salvático.
Cerca de cinco mil pessoas utilizam os patinetes em Londrina por dia. A maioria dos usuários é formada por jovens entre 18 e 25 anos, universitários ou recém-formados. De acordo com a última amostragem do perfil dos usuários da JET, há um equilíbrio entre homens e mulheres que utilizam os patinetes na cidade, sendo 52% dos usuários do sexo masculino e 48% do sexo feminino. “Observamos, pela geolocalização, que as pessoas já entenderam o propósito dos aparelhos e utilizam os patinetes especialmente em dias úteis, no início da manhã e final da tarde em trajetos que se repetem todos os dias”, analisa Tatiane. “Entendemos que isso mostra que as pessoas utilizam os patinetes para micromobilidade, que é a função dos aparelhos, para trajetos de rotina como ir e voltar do trabalho e das universidades”, afirmou.
Nos primeiros meses de operação ocorreram alguns casos de acidentes com queda de usuários, mas os números arrefeceram. Até agora, segundo a JET, não foram registradas mortes ou qualquer ferimento considerado grave causado durante o uso dos patinetes em Londrina. Conforme disse a representante da JET, as equipes da empresa não registraram qualquer relato ou queixa de acidentes em seus canais oficiais. Pelos levantamentos da empresa, em todo ano de 2025 foram computados apenas 71 casos de sinistros relacionados a acidentes no total das cidades onde a JET atua no Brasil – o que representa índice inferior a 0,01% do total de viagens.
Apesar dos baixos números de acidentes, ainda é comum encontrar em Londrina duas pessoas em cima do patinete ao mesmo tempo. A empresa operadora reforça que o uso inadequado aumenta os riscos de queda e de gravidade de eventuais lesões. “Apesar de o equipamento suportar até 120 quilos, os patinetes foram criados para o uso individual”, reiterou Tatiane.
Outro ponto importante a ser reforçado sobre a segurança durante a utilização dos aparelhos é, por exemplo, o uso de capacete, embora o Código Brasileiro de Trânsito não defina a obrigatoriedade deste tipo de proteção para quem utiliza aparelhos de micromobilidade. A empresa e a própria CMTU, porém, salientam que o uso do capacete é “altamente recomendável”.
Na mesma linha da segurança, orienta-se o usuário a utilizar ciclofaixas quando disponíveis, ou, então, usar a faixa da direita para a locomoção, pois se trata de uma ferramenta com mobilidade reduzida em relação a outros veículos como carros, motos e ônibus; e ainda não transitar, em hipótese alguma, pelas calçadas. É importante que o usuário sempre desça e empurre o patinete ao atravessar as faixas de pedestres para evitar colisão com pedestres.
Fora os acidentes, o maior problema mesmo são os atos de vandalismo dos equipamentos. Os casos ocorrem, especialmente, aos finais de semana nas proximidades do Zerão e do Lago Igapó. Os atos mais comuns são jogar os patinetes no lago e derrubar os patinetes disponíveis nos pontos de estacionamento. “Nenhum dos modelos de vandalismo estragam, efetivamente, os aparelhos. No entanto, temos uma equipe de operações pronta para localizar, arrumar e limpar os patinetes para os demais usuários”, salientou Tatiane Salvático.
Em 2025 foram registradas três ocorrências “mais graves”: um equipamento foi levado para a pedreira no Jardim Cafezal e teve a roda quebrada. Outro caso ocorreu no Igapó, onde arrancaram as rodas e tentaram roubar a estrutura do patinete. No entanto, graças ao sistema de geolocalização dos aparelhos, o material foi localizado. No final do ano, houve ainda um caso em que colocaram fogo em um patinete nas proximidades do prédio da Copel, na zona leste da cidade.
O patinete elétrico é considerado um meio de transporte limpo, já que não polui e é movido a bateria renovável. A estimativa é que ao longo de 2025 as viagens dos londrinenses com o veículo evitaram a emissão de 300 mil toneladas de gás carbônico nos céus da cidade. Os aparelhos utilizam baterias de grande durabilidade e capacidade de fornecer energia constante por longos períodos.
A JET Brasil Patinetes opera este tipo de veículo em 40 municípios das cinco regiões brasileiras, e Londrina é a única paranaense. A empresa tornou-se líder do segmento de compartilhamento na América Latina. São mais de 40 mil veículos e cerca de mil colaboradores em todo o País. Somente no ano passado a empresa alcançou a marca de 12 milhões de viagens realizadas pela sua frota em todo o Brasil.