Quem visitou o Cemitério Padre Anchieta, na zona leste de Londrina, durante a virada de ano, deparou-se com um cenário de desolação e prejuízo. O local foi alvo de recentes atos de depredação e furtos, um problema que tem se tornado recorrente não apenas nesta unidade, mas em diversas necrópoles da cidade.
Em visita ao local, a reportagem constatou a veracidade das denúncias feitas por frequentadores. Diversos túmulos encontram-se atualmente apenas com as fotos dos sepultados, após terem todas as placas de identificação arrancadas. Em outros pontos, a situação é ainda mais grave, com jazigos sem qualquer tipo de sinalização. Além das placas, gavetas tiveram os puxadores furtados e algumas estruturas apresentam marcas nítidas de vandalismo, como vidros quebrados.
Crime de dano ao patrimônio
Vandalizar ou saquear túmulos é configurado como crime de dano ao patrimônio. A legislação brasileira prevê penas que variam de detenção a reclusão, além da aplicação de multas. Entretanto, a principal barreira para a punição é a dificuldade em identificar e localizar tanto os autores das depredações quanto os receptadores dos materiais metálicos, que alimentam o mercado clandestino.
Alternativas e segurança
Diante da insegurança, muitas famílias londrinenses começaram a adotar medidas paliativas. A substituição das tradicionais peças de bronze por materiais como alumínio e porcelana tem sido a alternativa mais comum, já que esses itens não possuem valor comercial para os criminosos.
A aposentada Maria Alice Monteiro, que esteve no cemitério para um sepultamento e aproveitou para visitar os jazigos de seus sogros, expressou o sentimento de desamparo diante da situação. Para ela, o cenário demonstra que nem mesmo os falecidos conseguem ter paz.
O clamor comum entre os frequentadores e familiares que possuem entes queridos sepultados no Padre Anchieta é por melhorias imediatas na segurança das unidades. O pedido é por um monitoramento mais eficaz e patrulhamento constante para coibir a ação de vândalos e garantir a preservação do patrimônio histórico e emocional das famílias.