O feminicídio não começa no momento da agressão. Ele geralmente surge antes, por meio de comportamentos de controle, manipulação e ameaças que muitas vezes são ignorados ou silenciados.
No ano passado, em média quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil, o maior número desde 2015. Grande parte dos casos ocorreu dentro da própria casa da vítima, espaço que deveria representar proteção. Na maioria das situações, o autor era alguém próximo: marido, ex-companheiro ou namorado. Um motivo recorrente aparece nas investigações: a não aceitação do fim do relacionamento.
A violência não se resume à agressão física. Ela costuma iniciar de forma psicológica, com cobranças excessivas, ciúmes tratados como cuidado e exigências constantes de explicações. Depois surgem humilhações, gritos, intimidação e medo. Com o tempo, o ciclo se intensifica e o silêncio passa a representar risco real.
Violência contra a mulher não é briga de casal nem desentendimento, é crime previsto na Lei Maria da Penha.
Preocupada com os frequentes registros, Simone ensina desde cedo a filha de 12 anos que nenhuma mulher deve aceitar um relacionamento abusivo.
Romper o silêncio pode ser a diferença entre viver ou virar estatística.