Cidade

Voepass: suspensão de operações gera sensação de inicio de justiça para familiares de vítimas do voo 2283

11 mar 2025 às 12:18

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) determinou, no fim da noite de segunda-feira, a suspensão de todas as operações da Voepass. A medida passou a valer imediatamente para os voos desta terça-feira e permanecerá em vigor até que a empresa comprove estar em conformidade com os níveis de segurança exigidos pela legislação brasileira.

Com a decisão, a companhia aérea fica proibida de vender passagens e de realizar voos já programados. Passageiros afetados devem buscar a Voepass ou a agência responsável pela compra da passagem para reembolso ou reacomodação em outras companhias.

A suspensão ocorre após meses de fiscalização e monitoramento da empresa. Segundo a ANAC, a Voepass não conseguiu corrigir irregularidades identificadas durante auditorias e descumpriu exigências estabelecidas para a continuidade das operações. Entre as falhas apontadas estão a degradação do sistema de gestão e a reincidência de problemas já considerados sanados em fiscalizações anteriores.

A Voepass opera com seis aeronaves em 15 localidades para voos comerciais e em duas para viagens fretadas. Uma dessas bases é Cascavel, de onde partiu o voo 2283, que caiu em Vinhedo há sete meses, causando a morte de 62 pessoas.

Desde o acidente, a ANAC intensificou a fiscalização sobre a empresa, impondo medidas como a redução da malha aérea, maior tempo de solo para manutenção das aeronaves e mudanças na administração. No entanto, a última rodada de auditorias, realizada no final de fevereiro de 2025, apontou que a companhia não conseguiu cumprir as determinações.

A decisão é acompanhada de perto pelas famílias das vítimas, que formaram uma associação para cobrar providências. Adriana, mãe da pequena Liz, de 3 anos, que morreu no acidente, é vice-presidente do grupo e afirma que a suspensão das operações reforça o que os familiares sempre denunciaram: a incapacidade da Voepass de oferecer voos seguros.

Ela também defende uma fiscalização mais rigorosa da ANAC para evitar novas tragédias. Para os familiares das vítimas, a luta por justiça se tornou uma forma de conforto diante da perda irreparável.