O número sozinho é alto, mas representa 2% do uso de açúcar pela indústria no preparo nas categorias dos alimentos que fazem parte do acordo. Neste primeiro momento, a iniciativa vai envolver 68 empresas – 87% do mercado brasileiro nessas categorias. A exemplo do acordo de redução de sal, também feito pelo governo com a indústria, a meta não significa que todos os produtos terão mudança na fórmula. Mais da metade (52,1%) já cumprem os indicadores fixados no acordo. De um universo de 2 397 produtos, 1.147 terão de mudar a fórmula.
A meta pouco ousada é explicada pelo ministério. A ideia foi fazer uma média do emprego de açúcar nos produtos e, com base neste cálculo, definir a redução. Questionado se, com a mudança, os produtos poderão ser considerados saudáveis, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, afirmou: “Vamos buscar que o cidadão tenha informação. Gradativamente, com a redução do nível de açúcar desses alimentos, se tornarão gradativamente mais saudáveis”.
Coordenadora de Alimentação e Nutrição da pasta, Michele Lessa emendou: “O ministério recomenda que a população consuma, em sua maioria, alimentos in natura ou minimamente processados”. Mas, segundo ela, boa parte da população usa produtos processados. “E essa agenda é para reformulação, para que se tornem um pouco mais saudáveis”, completou.
Foi só este ano que a secretária Lilian Kamada, de 43 anos, começou a ficar atenta aos rótulos. Isso foi incentivado pela filha Julia, de 11 anos. Aluna do Colégio Santa Maria, na zona sul paulistana, ela aprendeu na escola sobre a importância de observar os elementos presentes na comida. “O colégio sempre pediu lanches saudáveis e mandávamos. Mas, em casa, comíamos tudo errado. Ano passado ela estava com sobrepeso e mudamos tudo”, conta Lilian.
Salgadinhos e doces foram substituídos por uma dieta equilibrada e saudável e Julia perdeu seis quilos. “Estou gostando. Agora estou comendo frutas e verduras”, conta a garota.
Fonte: Banda B.