A superlotação frequente no Hospital Universitário (HU) de Londrina tem colocado profissionais de saúde sob uma pressão jamais vivenciada antes. A convivência diária com a morte é uma prova de fogo, mesmo para quem está acostumado a ter a vida em risco.
No espaço adaptado especialmente para a pandemia, não apenas os pacientes sofrem. Cerca de 100 profissionais de saúde vivenciam todos os dias os desafios de uma doença que mexeu com o mundo e trouxe mais mortes do que qualquer um poderia imaginar, mesmo para quem já se habituou a perder vidas.
Fátima Ruiz trabalha como enfermeira no Hospital de Retaguarda do HU e no Samu. Além do estresse no horário de trabalho, a vida pessoal também mudou em quase um ano de pandemia.
O quadro assustador traz consigo um outro problema: a superlotação de leitos. O Hospital de Retaguarda tem 96 leitos exclusivos para a Covid-19. A taxa de ocupação tem passado de 100% com frequência e nesta quinta-feira chegou a 107%. Para não acomodar pacientes nos corredores, o jeito é utilizar outras enfermarias do HU para casos do coronavírus.
Ana Lúcia Fonseca é coordenadora do Hospital de Retaguarda e teme que o colapso se instale sem que os profissionais consigam dar conta na demanda.
Depois de quase doze meses sobre pressão, abdicando do convívio familiar e presenciando perdas, os profissionais continuam firmes no combate à doença.
Com a chegada da vacina, veio o sentimento de esperança e a crença em dias melhores. Diante da experiência vivida e da expectativa da chegada de novas doses da vacina, os profissionais da saúde reforçam o apelo para que a população se cuide.