Ciência e saúde

Covid-19: HU Londrina participa de estudo que aponta ineficácia da hidroxicloroquina

24 jul 2020 às 09:11

O resultado da pesquisa sobre o uso da hidroxicloroquina, que contou com a participação do Hospital Universitário da UEL, foi divulgado nesta quinta-feira (23). Segundo o estudo promovido por pesquisadores da Coalizão Covid-19 Brasil, ligados a instituições de saúde brasileiras concluiu que a medicação não é eficaz para o tratamento de casos precoces do novo coronavírus. Para a coordenadora do estudo em Londrina, Cintia Grion, é importante finalizar a pesquisa ao lado de tanto hospitais de referência e ajudar nesse momento importante. 

“Era uma dúvida que angustiava muito, tanto a população quanto os profissionais que cuidavam desses pacientes com casos leves a moderados de Covid-19. E essa dúvida está pelo menos, nessa população de estudo, praticamente resolvida. Não temos mais dúvidas, que nesse cenário, a hidroxicloroquina e a associação com a azitromicina, não modifica o curso da doença. A doença evolui independente desse tratamento”.

Dos 55 hospitais do país, o HU foi o único da região que participou da pesquisa. Na unidade, foi avaliado o uso da hidroxicloroquina simples e também a medicação combinada com o antibiótico azitromicina, para verificar se havia diferença entre os tratamentos. Segundo a coordenadora do estudo no HU na cidade, 12 profissionais das áreas da medicina intensiva, infectologia e da pneumologia participaram do estudo.

“Conseguimos inserir 10 pacientes pelo HU na Coalizão Covid-19 Brasil. É um estudo grande não apenas pelo número de pacientes e hospitais envolvidos, mas pela metodologia robusta. A pesquisa foi bem delineada e conduzida e analisada de forma cuidadosa”, conta.

A expectativa era que o número de pacientes inseridos no estudo, pelo Hospital Universitário chegasse a 20, mas segundo Cintia Grion, na época, não foi possível encontrar aptos a participar. “Nossa curva de contaminação estava bem achatada, não tivemos tantos pacientes que poderiam ser candidatos a participar do estudo”, apontou.

O resultado do estudo, que contou com a participação do HU foi publicada no periódico New England Journal of Medicine, um dos periódico maior impacto na área da saúde nos dias atuais. “Em qualquer área da medicina, os estudos mais relevantes costumam sair nesse periódico. Então é um grande orgulho nosso poder ter sido parte disso, poder ter construído nessa pesquisa colaborativa e trazer um resultado tão relevante pra a nossa pratica clínica”, finaliza Grion.

Quem coordenou os estudo?
A iniciativa responsável pelos estudos clínicos, para pacientes da Covid-19 contou com instituições como Hospital Israelita Albert Einstein; HCor; Hospital Sírio-Libanês; Hospital Moinhos de Vento; Hospital Alemão Oswaldo Cruz; BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Brazilian Clinical Research Institute (BCRI); Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).
Ao todo, 217 pacientes foram tratados com combinação de hidroxicloroquina, azitromicina e suporte clínico padrão; 221 pacientes foram tratados com hidroxicloroquina e suporte clínico padrão e 227 pacientes, considerados do grupo de controle, foram tratados apenas suporte clínico padrão.