Ciência e saúde

Estudo matemático compara evolução da Covid-19 no Brasil, EUA e Colômbia

22 jul 2020 às 19:48

Desde o início das primeiras medidas de distanciamento social no Brasil, em meados de março, pesquisadores do Laboratório de Simulação e Análise Numérica, do Departamento de Matemática, do Centro de Ciências Exatas (CCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), tem se debruçado sobre os números oficiais divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a respeito do Coronavírus. O estudo é realizado juntamente com a Universidad del Atlântico, da Colômbia, e busca comparar os impactos da pandemia no Brasil, Estados Unidos e Colômbia. O objetivo é tentar estimar como a doença vai se desenvolver ao longo dos próximos meses.

As primeiras conclusões resultaram em uma série de gráficos que demonstram que os EUA já vivem uma segunda onda da doença e que o Brasil, diferentemente, não tem ainda um platô definido. O país segue com casos em ascendência, mas não há elementos que possam comprovar que se chegou ao pico, concretizando a primeira onda pandêmica.

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Eliandro Cirilo, do Departamento de Matemática, também não é possível precisar se o país chegou ao topo, acenando com tendência de manutenção do número de infectados que caracteriza e consolida o platô. Ainda não se pode afirmar que haverá uma segunda onda. Segundo ele, a Covid-19 é demasiadamente complexa do ponto de vista da saúde pública, o que afeta qualquer projeção matemática.

O estudo, apesar de destoar das previsões de que o país já estaria vivenciando um platô, considera situações observadas nas maiores cidades nas últimas semanas, onde a economia vem se abrindo e o isolamento vem sendo flexibilizado por parte dos governantes, com aglomerações aumentando. "Daqui 15 dias poderemos talvez vivenciar nova aceleração da doença, assim como ocorre nos EUA. Portanto, poderá não ser um platô no caso brasileiro. Poderá ser apenas uma pequena desaceleração. Gostaria que fosse verdade o que os especialistas da OMS afirmaram, mas não dá para afirmar isto ainda", alerta o professor.

Na Colômbia, em situação semelhante, a doença está se desenvolvendo, de forma mais atrasada que no Brasil. O país também está em processo de ascendência da pandemia e deverá atingir o pico e platô mais tarde do que no Brasil. De forma idêntica ao que ocorre por aqui, somente aulas presenciais estão canceladas, com observação de pouco isolamento por parte da população.

Em todo mundo esses estudos se tornaram importantes em virtude de não existir uma forma eficaz para achatar o pico das epidemias. Dessa forma, as medidas mais adotadas têm sido o distanciamento e o isolamento social, amparados em gráficos que demonstram a evolução do número de casos ao longo do tempo. Segundo o professor Cirilo, o Brasil não apresenta um desenvolvimento linear e de fácil previsibilidade da doença, o que implica considerar variáveis como região, condições climáticas, entre outros fatores.

Os dados sobre a doença nos três países serão coletados até 31 deste mês. A partir daí, até 20 de agosto, os pesquisadores pretendem concluir o estudo e submeter um artigo científico para uma revista especializada na área da Epidemiologia, face ao ineditismo de comparar dados entre três nações distintas, que possuem similaridades e diferenças evidentes, amparados pela simulação numérica a partir das informações, apresentadas na forma de gráficos de tendências.


Com Agência UEL