Ciência e saúde

Média de casos de Covid-19 dobra em dois meses e há risco de colapso

23 dez 2020 às 13:54

O número de casos de Covid-19 dobrou de outubro para cá, segundo levantamento da 17ª Regional de Saúde. Nos meses passados, quando pode se verificar um achatamento da curva de contágio, ou seja, com que as pessoas expostas gradativamente ao vírus, o número de testes positivos para a doença tinha uma média de 1000 por semana.

Em dezembro, a situação está diferente. Segundo a coordenadora da regional, Maria Lucia Lopes, a média chega a 2000 casos por semana na área de cobertura que abrange 21 municípios. Mas não são todas as cidades que possuem tratamento especifico para esses doentes e leitos disponíveis. “Não vivemos situações de pessoas em fila de espera da UTI, frigorífico em porta de hospital. Mas agora, vivemos um aumento significativo de casos e nessa perspectiva, se não nos cuidarmos no período de Natal, Ano Novo, em que muitos decidem ir viajar e até ir para praia, até o dia 10 de janeiro nós podemos ter um colapso dos serviços de saúde”, aponta.

Ela explica que isso é quando muitas pessoas adoecem ao mesmo tempo e os serviços não conseguem dar atendimento a todas. “Na área da saúde não há como parar para cuidar das pessoas com Covid-19. As pessoas enfartam, nós temos acidentes, as mulheres engravidam. Nós temos todos os outros pacientes que tem direito de acessar os serviços de saúde”.

Outro problema, além de novos leitos é a contratação de novos profissionais para dar conta da demanda. “Quando a gente pensa num leito, pensa apenas de forma reduzida. Mas são 24 horas de equipe médica e de enfermagem, auxiliar de enfermagem, fisioterapeuta, limpeza, nutrição, segurança, farmácia. Então, um leito de UTI reverbera no serviço como um todo”, acrescenta.  

Maria Lucia não descarta ainda, a necessidade de contratação de caminhões frigoríficos para os mortos vítimas de Covid-19, caso não ocorra um controle no aumento de casos da doença. “A infraestrutura é finita. Se todas as pessoas adoecerem ao mesmo tempo, é isso que vamos viver. Cenas tristes como vimos em outras cidades”, finaliza.

As recomendações permanecem as mesmas: manter distanciamento social, uso de máscara e mãos limpas. Ela diz ainda que cada um é um potencial transmissor da doença, já que pode estar assintomático. “Aquela coriza que as pessoas acham que é apenas uma rinite, pode ser Covid-19 e as pessoas podem estar transmitindo. Em mim não faz nada, mas em outras pessoas pode se agravar e até ir a óbito. É preciso cuidado”, finaliza.