Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo dos últimos 35 anos, conforme dados divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O país já registra 3.471 casos confirmados da doença em 2026, um número alarmante acumulado em apenas nove meses de monitoramento. A Pensilvânia concentra o maior número de infecções e contabiliza a quarta morte associada ao sarampo no país neste ano.
Segundo as autoridades sanitárias, as vítimas fatais não haviam sido vacinadas contra a doença. Entre os casos graves, duas das vítimas são bebês que estavam abaixo da faixa etária recomendada para receber a imunização.
Impacto na vacinação e o debate político
O avanço expressivo da doença reascende o debate nacional sobre a imunização e a atuação do governo de Donald Trump em relação às políticas de saúde pública. O atual secretário de Saúde possui um histórico conhecido de críticas às vacinas.
Durante conferência de um grupo antivacina que ajudou a fundar, Robert Kennedy Júnior afirmou que os cidadãos preocupados com os imunizantes contam com o apoio político da administração atual.
"Vocês têm um amigo forte e leal na Casa Branca. Conseguimos em 19 meses coisas que seriam impensáveis a dois anos", declarou Robert Kennedy Júnior.
Mudanças nas diretrizes e o consenso científico
Em agosto, o governo de Donald Trump assinou uma ordem executiva para limitar o número de vacinas recomendadas para crianças na primeira infância. A medida propôs a divisão da vacina tríplice viral — que combate caxumba, sarampo e rubéola — em três doses individuais, contrariando o amplo consenso científico global.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que todas as crianças recebam duas doses da vacina contra o sarampo conforme o calendário nacional de cada país. A entidade internacional reforça que a imunização permanece como a estratégia mais eficaz para prevenir a doença e conter novos surtos globais.