O novo aumento nos preços dos combustíveis chega em um momento sensível para o bolso do brasileiro: com mais de 80 milhões de pessoas endividadas no país, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a alta não pesa apenas no abastecimento, mas amplia um efeito em cadeia que encarece o custo de vida e reduz o poder de consumo das famílias.
O impacto vai além dos postos e aparece rapidamente na inflação medida pelo IBGE, especialmente no grupo de transportes e alimentação. Com o frete mais caro e o aumento nos custos logísticos, produtos e serviços — principalmente alimentos — também sofrem reajustes.
Segundo o assessor de investimentos da WFlow, Claudiner Sanches Junior, a alta tem origem, sobretudo, no mercado externo. "No cenário atual, o principal fator é a disparada do petróleo no mercado internacional por causa da escalada do conflito entre EUA/Israel e Irã. O mercado passou a precificar o risco de interrupção no fornecimento global", explica Sanches Junior.
Com o orçamento pressionado, o consumo das famílias tende a desacelerar, com o corte de supérfluos e maior cautela nas decisões de compra. Em um cenário de endividamento recorde e inadimplência elevada, a tendência é que o consumidor adie compras de bens duráveis, reduzagastos não essenciais e utilize o crédito para cobrir despesas do dia a dia, o que pode agravar a pressão financeira."O primeiro passo é enxergar para onde o dinheiro está indo e tratar o orçamento como ferramenta de decisão", alerta o especialista. Em um contexto de pressão inflacionária e renda comprometida, o equilíbrio financeiro é a única via para evitar o agravamento das dívidas.
Nesta quinta-feira (9), o governo federal sinalizou um plano especial para liberar o FGTS para ajudar as famílas endividadas. O plano prevê a liberação de pelo menos R$ 7 bilhões, que poderão ser usados para quitar as dívidas dos brasileiros.