Economia

Bayer tenta acordo de US$ 7,25 bi após ações que ligam herbicida a câncer

18 fev 2026 às 13:56

A farmacêutica e empresa de ciência agrícola Bayer propôs um acordo de US$ 7,25 bilhões (R$ 37,92 bilhões, na cotação atual) para encerrar processos judiciais que associam seu herbicida mais conhecido a casos de câncer. A informação foi divulgada pelo jornal britânico Financial Times.


O plano prevê cobrir ações atuais e futuras relacionadas ao produto e ainda precisa ser aprovado por um tribunal dos Estados Unidos. A companhia também informou que fará uma provisão adicional de € 4 bilhões (R$ 24,82 bilhões) para despesas e responsabilidades legais, elevando o total reservado para litígios a € 11,8 bilhões (R$ 73,21 bilhões).


O movimento é mais uma tentativa de encerrar disputas que se arrastam há anos e que se intensificaram após a aquisição da americana Monsanto, em 2016, responsável pelo desenvolvimento do herbicida.


Os processos estão relacionados ao herbicida Roundup, à base de glifosato, produto que a companhia passou a controlar após a compra da americana Monsanto, em 2016. Parte dos autores das ações afirma ter desenvolvido câncer após exposição ao produto, o que a empresa contesta. 


Acordo bilionário busca encerrar incerteza jurídica global

A alternativa ao acordo seria enfrentar “décadas de disputas legais”, disse o presidente-executivo da Bayer, Bill Anderson, em teleconferência com analistas nesta terça-feira (17), segundo Financial Times. Ele afirmou que a incerteza dos processos afeta a companhia há anos.


A empresa também alertou que o acordo deverá gerar fluxo de caixa livre negativo neste ano, mas disse ter garantido uma linha de crédito bancária de US$ 8 bilhões (R$ 41,84 bilhões) para financiar os pagamentos, que seriam distribuídos ao longo de 21 anos.


Disputa sobre segurança do produto continua

A companhia sustenta que o princípio ativo do herbicida é seguro e que pesquisas científicas respaldam essa posição. Mesmo assim, milhares de americanos afirmam ter desenvolvido linfoma não Hodgkin após exposição ao produto.


No mês passado, a Suprema Corte dos EUA concordou em analisar um recurso da empresa em um caso considerado crucial, que pode limitar o alcance de milhares de ações semelhantes.


Segundo a empresa, o novo acordo e o julgamento em andamento são estratégias complementares para reduzir o risco jurídico e criar um caminho para encerrar a disputa.


Mercado reage e ações sobem

As ações da companhia avançaram após relatos de que um acordo poderia ser fechado. Os papéis acumulam forte valorização no último ano e atingiram o nível mais alto em mais de três anos.


A proposta atual sucede um acordo anterior, anunciado em 2020 por até US$ 10,9 bilhões (R$ 56,9 bilhões), que acabou parcialmente rejeitado na Justiça. A empresa afirma que o novo plano difere significativamente do anterior.


A companhia divulgará seus resultados anuais de 2025 em 4 de março, uma semana depois do previsto inicialmente.