Economia

Brasil segue no topo do ranking global de juros reais após corte da Selic

31 ago 2026 às 09:28

Com a taxa Selic em 14% ao ano, definida na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), o juro real brasileiro está em aproximadamente 9,33%, mantendo o país entre os primeiros colocados no ranking mundial de juros reais.


O cenário foi analisado pelo programa Tarde BandNews TV em entrevista com Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos. Segundo ele, um dos principais pontos observados pelo Banco Central na condução da política monetária é o comportamento do setor de serviços, que tem peso relevante na inflação.


Para os próximos meses, o mercado já acompanha as expectativas para a próxima reunião do Copom, prevista para setembro. Algumas instituições revisaram suas projeções e passaram a estimar uma Selic entre 13% e 13,25% ao final de 2026, diante de sinais recentes de desaceleração da inflação.


Juros também afetam o dólar


O cenário internacional é outro fator que pode influenciar as decisões do Banco Central e o comportamento do câmbio. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve mantém uma política monetária voltada para aproximar a inflação da meta de 2%.


A diferença entre os juros brasileiros e americanos influencia a movimentação de investimentos internacionais. Segundo Trotta, uma eventual elevação dos juros nos Estados Unidos pode reduzir a atratividade de aplicações no Brasil e aumentar a pressão sobre o real em relação ao dólar.


Impacto na dívida pública


A taxa de juros também tem efeito direto sobre as contas do governo. De acordo com a análise apresentada, cada ponto percentual de alta na Selic pode representar um impacto de aproximadamente R$ 50 bilhões na dívida pública.


Por isso, a trajetória dos juros é acompanhada de perto pelo mercado, especialmente em um ano marcado por eleições, quando decisões econômicas e medidas de estímulo podem aumentar a preocupação com inflação, câmbio e equilíbrio fiscal.


A expectativa, segundo o especialista, é de que o Banco Central mantenha uma postura voltada ao controle da inflação, enquanto os investidores acompanham os próximos indicadores econômicos para avaliar o ritmo de redução dos juros ao longo de 2026.

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