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Economia

Coronavírus pode atrasar plataformas

01 mar 2020 às 16:18
Por: Estadão Conteúdo

Os efeitos produzidos pela crise do coronavírus podem levar a Petrobrás a deixar de receber até US$ 10 milhões por dia. Essa perda diária, dizem especialistas, seria causada pelos atrasos na entrega de plataformas. Sete embarcações foram encomendadas pela estatal a estaleiros da Ásia, principalmente na China, Cingapura e Coreia do Sul, os três países mais afetados pela epidemia até agora.

A construção de uma plataforma dura anos e representa o maior custo de um projeto de produção de petróleo. As empresas petroleiras acompanham de perto as obras, para evitar que os cronogramas de entrega sejam estendidos e para garantir que as plataformas comecem a produzir e a gerem receita o quanto antes.

A Petrobrás, como suas concorrentes, corre contra o tempo. Uma fila de plataformas foi planejada para os próximos quatro anos, o que vai ajudar a empresa a avançar rapidamente no pré-sal. Para o ano que vem é esperada a entrega de duas unidades. São obras que já estão na reta final e, por isso, devem ser as mais afetadas e têm mais chance de atrasar.

Uma plataforma tem capacidade de produzir 150 mil barris de petróleo por dia, algumas um pouco mais. Considerando a cotação do óleo de US$ 52 na semana passada, é possível estimar que a cada 24 horas sem produzir a Petrobrás deixa de ganhar US$ 7,8 milhões. Somado a isso há a receita gerada pela extração de gás natural, o que eleva a conta a US$ 10 milhões, segundo cálculo de Carlos Maurício Ribeiro, sócio do Vieira Rezende Advogados.

A Petrobrás, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que "as informações existentes até o momento sobre os impactos do coronavírus na economia mundial não permitem que sejam feitas projeções seguras sobre as consequências para as operações da companhia".

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As consequências nos projetos da estatal vão depender da extensão da crise e da sua difusão pelo mundo, salientou Ribeiro. Por conta da transição energética, que vai impor cada vez mais preços mais baixos aos combustíveis fósseis, companhias petroleiras do mundo todo correm contra o tempo para transformar suas reservas de petróleo em dinheiro. Com isso, cada dia de atraso de um projeto tem um custo maior para as empresas.

A crise atual ainda pode gerar novos problemas à gestão da Petrobrás, que aposta na venda de ativos para reduzir o endividamento. Um deles é a desistência das empresas chinesas em adquirir um conjunto de refinarias. Os diretores da estatal têm dito que o negócio está atraindo o interesse de muitos investidores. A tendência é que sejam especialmente interessantes para os chineses, que têm a preocupação de garantir combustível para o consumo interno e apostado alto no Brasil nos últimos anos.

Refinaria

"O problema é ter alguma proposta para as refinarias que não tenha a participação dos chineses. Se a desistência dos chineses não inviabilizar a compra das refinarias, certamente terá consequências na competição e, portanto, no preço de venda", disse Rodrigo Leão, economista e coordenador de pesquisa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Ele destaca ainda que quase um quarto da receita da estatal depende das exportações e que a China responde atualmente por 65% desse total. Em recente coletiva de imprensa para apresentar o resultado financeiro do ano passado, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, admitiu que o país asiático continuará a ter um peso relevante no comércio do seu petróleo cru, embora a Petrobrás esteja procurando novos consumidores.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) Adriano Pires avalia ainda que navios de gás natural liquefeito são construídos na Ásia e que, com a crise do coronavírus, deve ter atraso nas entregas, o que pode afetar os valores de comercialização desse produto. "No fim das contas, a China é a grande fábrica do mundo e o cenário atual faz a gente refletir que depender muito da China é complicado", avalia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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