As tensões comerciais com os Estados Unidos e o bloqueio europeu à carne brasileira dominaram a agenda dos principais pré-candidatos à Presidência nesta quarta-feira (10).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL), os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) tiveram dias marcados por posicionamentos sobre política externa, segurança pública e estratégia eleitoral.
'Pix é do Brasil'
Lula se reuniu com representantes da sociedade civil no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável — o chamado "Conselhão". O presidente usava camisa da Seleção Brasileira e uma placa com a bandeira do Brasil e a frase "O PIX é do Brasil" estava exposta no evento.
As ameaças de restrição ao PIX e de novas tarifas pelo governo americano pautaram o discurso. Lula criticou especificamente a justificativa americana que associa as tarifas ao desmatamento no Brasil e pediu um estudo urgente sobre os salários dos trabalhadores americanos para embasar a resposta do País.
Pôr multa por conta do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já tão carecas? E que nós ainda estamos como jogador cortando só um pedacinho aqui do lado? --Lula
Facções criminosas
Flávio ficou em Brasília sem agenda pública, mas publicou um vídeo agradecendo a recepção que recebeu na véspera em uma feira agrícola no interior da Bahia. No evento, o pré-candidato do PL prometeu reforçar o combate ao crime organizado caso seja eleito.
Esses marginais têm até o final do ano pra meter o pé do Brasil. Ou vão ser presos ou vão ser neutralizados pela nossa polícia. --Flávio Bolsonaro
Zema cumpriu agenda em Sorocaba, no interior de São Paulo, e concedeu entrevista a uma rádio local. O pré-candidato do Novo voltou a criticar a relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, mas sinalizou apoio à direita em um eventual segundo turno contra o PT — mesmo que o candidato seja o próprio Flávio.
"Se alguém foi traído nessa história, foi o Novo. Mas entre alguém que mata muitos e alguém que mata poucos, todos são ruins, mas às vezes você tem de fazer a escolha do menos ruim", disse Zema.
Já Caiado se reuniu em Brasília com uma delegação da União Europeia para discutir o bloqueio à carne brasileira, que entra em vigor em setembro. Caiado saiu em defesa dos produtores rurais e contestou as justificativas do bloco.
"O Brasil não pode ser penalizado a todo momento por interpretações que muitas vezes são para corrigir problemas internos de países", afirmou. O governo brasileiro ainda tenta reverter a medida. A União Europeia alega que o Brasil descumpriu regras do bloco relacionadas ao uso de medicamentos contra bactérias, vírus e parasitas na pecuária.