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Move Brasil liberou quase R$ 2 bilhões para financiar caminhões

Programa apoia troca de caminhões antigos por novos
09 fev 2026 às 09:00
Por: Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em evento em Guarulhos (SP), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse neste domingo (8) que o programa Move Brasil liberou aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos para renovação da frota de caminhões no primeiro mês de vigência.

O programa busca substituir veículos antigos e retomar o ritmo de vendas de caminhões, que havia recuado 9,2% em 2025. Em relação aos modelos pesados, voltados para transporte de longas distâncias, a retração foi mais acentuada, de 20,5% ante 2024.


Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado de caminhões iniciou o ano em retração de 34,67%, em relação a janeiro de 2024.


Para Geraldo Alckmin, a queda nas vendas está relacionada à alta taxa de juros no país.


"Temos recorde de safra, com aumento de 17,9%. Também de exportações, com US$ 349 bilhões, e uma corrente de comércio de US$ 629 bilhões. Esses produtos precisam chegar a portos e aeroportos. Qual foi o problema? A taxa de juros. Normalmente, quem compra esse tipo de bem durável financia, é difícil comprar à vista. Eu vou e financio. A taxa estava em 22% a 23% ao ano, e a resposta foi boa, cerca de R$ 1,9 bilhão neste comecinho", destacou.

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Dono de uma empresa de transportes em Santa Isabel (SP), Orlando Boaventura pegou empréstimo pelo Move Brasil. A empresa, familiar, tem 30 funcionários e existe há 20 anos. Com os recursos, compraram o 29º caminhão.


"Um modelo novo gasta hoje até R$ 200 a menos em combustível em uma viagem daqui para o Rio de Janeiro, por exemplo. A gente busca a renovação de frota e essa taxa de juros é adequada, está dentro do nosso padrão. Conseguimos um bom preço e achamos que era o melhor momento para comprar", contou. A empresa deve contratar mais cinco trabalhadores este ano.


O representante dos trabalhadores, Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacou o esforço conjunto de empresas, sindicatos e governo federal para elaboração do programa, que visa a manutenção dos empregos no setor, a redução das emissões de carbono e a transição para logística mais sustentável.


No evento, os representantes da indústria automotiva pediram a manutenção do programa Move Brasil como forma de estimular a retomada das vendas do setor, que envolve fábricas, concessionárias e indústrias de autopeças.


"Vemos uma tendência do Banco Central de pensar o início de um ciclo de redução da taxa Selic. Isso talvez compense, caso não haja perenização no programa, mas ele já tem um valor importante porque antecipa a expectativa de como a taxa de juros estará a partir do terceiro e quarto trimestres deste ano", destacou o CEO da Scania, Christopher Polgorski, acrescentando que cada emprego mantido na produção e vendas diretas reflete na manutenção de seis empregos indiretos.


Geraldo Alckmin informou que o programa não tem um prazo de conclusão, e que o teto deve continuar em R$ 10 bilhões. "Neste momento não temos discussão de aumento do valor do teto. O prazo pode durar dois meses, quatro meses, seis meses, até que o recurso se esgote. Depois disso nós vamos estudar", disse.

Move Brasil


O programa Move Brasil libera crédito para a compra de caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012, por meio do BNDES. Os veículos precisam atender a critérios ambientais.


No final de janeiro, o Renovação da Frota, dentro do Move Brasil, beneficiou caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras de 532 municípios. Somente no mês passado, foram realizadas 1.152 operações, com valor médio de R$ 1,1 milhão.


No total, o programa disponibilizará R$ 10 bilhões em crédito, entre recursos do Tesouro Nacional e do BNDES. Desse total, R$ 1 bilhão é reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados. As taxas de juros ficam em torno de 13% a 14% ao ano, com condições melhores para quem comprovar a entrega de veículos antigos para desmonte.


O limite de financiamento é de até R$ 50 milhões por usuário. Os empréstimos terão prazo máximo de 5 anos e carência de até 6 meses.


Todas as operações são cobertas pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), com garantias de até 80% do valor financiado.

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