A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (1º) um reajuste médio de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), equivalente a aumento de R$ 1 por litro em relação ao mês anterior. Os compradores poderão parcelar parte da alta.
O QAV é um derivado de petróleo usado para abastecer aviões e helicópteros e responde por quase metade dos custos das companhias aéreas.
O preço é definido mensalmente pela Petrobras, sempre no primeiro dia do mês. O reajuste ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Irã, iniciada no último dia de fevereiro.
Parcelamento
Assim como no mês passado, quando houve reajuste de 55%, a Petrobras informou que vai permitir que as distribuidoras que atendem à aviação comercial possam parcelar parte do reajuste em seis vezes, com a primeira parcela a ser paga em julho de 2026.
Em comunicado emitido pela Petrobras, a companhia assinala que a opção de parcelamento visa preservar a demanda pelo produto e diminuir os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado.
Dentro de um contexto excepcional causado por questões geopolíticas, a Petrobras oferece uma alternativa que contribui para a saúde financeira de seus clientes ao mesmo tempo em que preserva a neutralidade financeira [equilíbrio das contas] para a companhia. Diz trecho da nota
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa as principais companhias aéreas do país, antes desse reajuste de maio o combustível respondia por 45% dos custos operacionais das empresas de aviação.
Cadeia de comércio
A Petrobras vende o QAV às distribuidoras, seja produzido em suas refinarias ou importado. As distribuidoras ficam responsáveis pelo transporte e pela revenda às companhias aéreas e outros consumidores nos aeroportos.
A estatal responde por cerca de 85% da produção do combustível no país, mas o mercado é aberto à concorrência, permitindo a atuação de outras empresas como produtoras ou importadoras.
Guerra e petróleo
O conflito no Irã teve início em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país. A região concentra importantes produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial. A escalada do conflito provocou distorções na cadeia global e pressionou os preços.
Entre as retaliações, o Irã tem ameaçado bloquear o estreito, o que afeta a logística do petróleo. Nos últimos dias, o barril do tipo Brent chegou a ser negociado perto de US$ 120 (cerca de R$ 595), ante cerca de US$ 70 antes da guerra -alta superior a 70%.
Formação de preços
A Petrobras esclareceu que o preço de venda do QAV é calculado por meio de uma fórmula vigente há mais de 20 anos, que permite o equilíbrio de preços entre os mercados nacional e internacional, “ao mesmo tempo que atua como um amortecedor de curto prazo, resultando em um reajuste inferior àqueles já praticados nos mercados internacionais”.
De acordo com a estatal, nos principais mercados internacionais, onde os preços são ajustados com maior frequência, refletindo de forma imediata as cotações internacionais, os reajustes recentes foram superiores aos observados no Brasil.
Ajuda do governo
Para tentar frear o impacto da alta de preços nas contas das companhias aéreas --e, consequentemente, no custo da passagem de avião-- o governo federal zerou, no último dia 8, as alíquotas dos dois tributos federais que incidem sobre o QAV, o PIS e a Cofins.
A isenção vale até 31 de maio. Outras medidas em auxílio ao setor são:
- adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea, devidas à Força Aérea;
- R$ 9 bilhões em crédito para companhias aéreas, com recursos operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil.
Com informações da Agência Brasil.