O mercado global de petróleo opera em forte alta nesta segunda-feira (13) devido ao agravamento da crise geopolítica no Oriente Médio. Os contratos futuros das principais referências da commodity registram valorização superior a 4% logo nas primeiras horas de negócios, impulsionados por ataques militares mútuos e ameaças severas às linhas de abastecimento internacional.
O barril de petróleo do tipo Brent, utilizado como referência internacional, apresenta avanço aproximado de 4,3%, sendo negociado na faixa de US$ 79,35 a US$ 79,59. Paralelamente, o West Texas Intermediate (WTI), indicador para o mercado norte-americano, opera com alta de 4,1%, cotado entre US$ 74,20 a US$ 74,47 por barril.
Escalada militar e bloqueio no Estreito de Hormuz
A disparada nos preços responde diretamente às ações militares ocorridas no último fim de semana. No domingo (12), forças dos Estados Unidos conduziram bombardeios aéreos contra posições estratégicas situadas no Irã. Em retaliação, a Guarda Revolucionária iraniana atacou, nesta segunda-feira, bases militares norte-americanas localizadas no Kuwait e no Bahrein, expandindo geograficamente a instabilidade na região do Golfo Pérsico.
Além dos confrontos diretos, o governo do Irã declarou o fechamento por tempo indeterminado do Estreito de Hormuz, considerada a principal rota marítima para o escoamento de petróleo do planeta.
O canal é responsável pela passagem de aproximadamente 20% do abastecimento global da mercadoria. Embora frotas navais de potências ocidentais afirmem publicamente que o corredor comercial permanece aberto para navegação, dados de monitoramento de navios da consultoria Kpler mostram que o tráfego de navios-tanque na região desabou para o menor nível registrado em semanas.
Impactos na infraestrutura e projeções
O cenário de risco ganhou contornos mais graves com o relato do governo do Kuwait sobre danos estruturais causados em uma plataforma de perfuração marítima. O episódio marca o primeiro ataque direto contra instalações de energia nesta fase do conflito, o que eleva a percepção de vulnerabilidade do setor produtivo regional.
Analistas do setor financeiro destacam que a crise interrompe as negociações de um acordo preliminar que buscava estabilizar o fluxo de combustíveis na região desde o mês passado. A reintrodução do chamado "prêmio de risco" sobre os contratos futuros projeta novos reajustes. Caso o bloqueio total ou parcial do Estreito de Hormuz persista ao longo das próximas semanas, a tendência indicada pelo mercado é de que o preço do barril teste patamares significativamente mais elevados.