A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 tem gerado preocupação entre representantes dos setores de comércio e supermercados. A principal crítica é em relação à possibilidade de uma jornada mais rígida, que, segundo o segmento, pode dificultar a organização das escalas e as contratações.
Em entrevista à BandNews TV, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, afirmou que um modelo de jornada reduzida sem alternativas de flexibilidade pode trazer dificuldades para o funcionamento das lojas.
Atualmente, o setor enfrenta um déficit de 35.001 trabalhadores no estado de São Paulo. Segundo Ortega, a falta de mão de obra pode se agravar caso novas regras mais restritivas sejam adotadas.
Pequenos supermercados seriam os mais afetados
Os pequenos e médios supermercados estão entre os mais preocupados com possíveis mudanças. Das cerca de 27 mil lojas espalhadas pelo estado de São Paulo, a maioria é formada por estabelecimentos de menor porte.
Enquanto grandes redes teriam mais estrutura para absorver alterações nas regras trabalhistas, pequenos empresários poderiam enfrentar dificuldades para manter as operações.
Entre os possíveis impactos estão a redução do horário de funcionamento e até o fechamento de algumas unidades, cenário que poderia favorecer uma maior concentração do mercado nas grandes redes.
Setor defende jornadas mais flexíveis
A discussão envolve a possibilidade de conciliar a redução da jornada de trabalho com modelos mais flexíveis, capazes de atender às necessidades de diferentes setores e perfis de trabalhadores.
Representantes do setor defendem alternativas como a contratação por hora e a possibilidade de escolha de jornadas de acordo com as necessidades de empresas e funcionários.
A avaliação é de que medidas de aumento de eficiência e produtividade deveriam ser consideradas antes de uma redução mais ampla das horas trabalhadas.
Outro ponto levantado é o possível impacto sobre os preços ao consumidor. Segundo os representantes do setor, o aumento dos custos operacionais poderia ser repassado para os produtos e contribuir para o encarecimento do custo de vida.
Risco de aumento da informalidade
Os críticos da proposta também apontam que uma limitação maior das horas trabalhadas poderia levar parte dos trabalhadores a buscar renda complementar na informalidade, por meio de trabalhos extras ou os chamados "bicos".
A defesa do setor é por modelos considerados mais modernos e flexíveis, que possam atender tanto aos jovens que buscam maior flexibilidade quanto aos trabalhadores com 50 anos ou mais.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 envolve, de um lado, a busca por melhores condições de trabalho e, de outro, os impactos que uma mudança na jornada pode provocar sobre empresas, trabalhadores e consumidores.