Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro começaram a notificar algumas equipes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos comerciais caso o governo federal proíba a operação das bets no país. A informação foi divulgada pelo Estadão e também confirmada por outros veículos.
Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A exibem marcas de empresas de apostas em espaços de destaque nos uniformes, segundo levantamento divulgado nesta semana.
Entre os clubes que receberam alertas estão Corinthians, São Paulo e Fluminense. O Corinthians tem contrato com a Esportes da Sorte, enquanto São Paulo e Fluminense são patrocinados pela Superbet.
CONTRATOS MOVIMENTAM MILHÕES
Os acordos representam valores expressivos para os clubes. O Corinthians recebe R$ 150 milhões por ano da Esportes da Sorte.
Já os contratos da Superbet preveem R$ 80 milhões para o São Paulo em 2026 e R$ 53 milhões para o Fluminense, com possibilidade de chegar a R$ 86 milhões.
No Flamengo, a Betano paga cerca de R$ 268 milhões por ano, segundo informações divulgadas sobre o contrato. A empresa também está entre as que notificaram o clube sobre os possíveis impactos de uma mudança nas regras.
Em 2025, os patrocínios de empresas de apostas para clubes da Série A somaram cerca de R$ 1 bilhão, segundo levantamento citado pela Folha.
GOVERNO PREPARA MEDIDA SOBRE AS BETS
O governo federal prepara uma Medida Provisória (MP) que poderá alterar significativamente as regras para o setor de apostas. Até o momento, os detalhes finais da medida e sua abrangência são o principal ponto de definição.
Reportagens desta sexta-feira (25) apontam que o governo avalia uma proibição ampla das apostas online, enquanto clubes e empresas aguardam a publicação oficial para definir os próximos passos.
Caso apenas os jogos de cassino online sejam afetados, a expectativa é de renegociação dos contratos, já que essa modalidade representa parcela importante da receita das empresas. Se a restrição alcançar também as apostas esportivas, os acordos de patrocínio podem ser encerrados.
CLUBES BUSCAM ALTERNATIVAS
Diante da possibilidade de perda dos patrocínios, alguns clubes já começaram a sondar o mercado em busca de novos parceiros. A Folha informou que equipes da Série A fizeram contatos iniciais enquanto aguardam a definição do governo.
Os clubes também discutem com o governo alternativas para enfrentar uma eventual perda de receitas. Entre as possibilidades está a criação de uma linha de crédito com condições diferenciadas para ajudar as equipes na renegociação de dívidas.
As casas de apostas, por sua vez, avaliam recorrer à Justiça caso uma eventual proibição seja aprovada, alegando possíveis questões de segurança jurídica e constitucionalidade, conforme relatos divulgados pela imprensa.