A crise de governança na Fifa expôs divergências internas entre os países-sedes da Copa do Mundo de 2026. Enquanto Estados Unidos e Canadá reforçaram o alinhamento com a coalizão de oposição a Gianni Infantino, formada por Uefa, Concacaf e AFC, o México optou por isolar-se dos vizinhos e manter apoio ao atual presidente da entidade.
Nesta segunda-feira (10), a US Soccer e a Canada Soccer publicaram um manifesto em conjunto com a União Centro-Americana de Futebol (Uncaf) e a União Caribenha de Futebol (CFU), endossando a carta das três confederações que pede investigações independentes na Fifa. O presidente da Concacaf, o canadense Victor Montagliani, é cotado como candidato para a eleição de 2027.
"US Soccer, Canada Soccer, CFU e Uncaf se posicionam, junto de outros pares pelo mundo, cobrando uma mudança significativa que fortaleça a governança, a transparência e a responsabilidade da Fifa", diz a nota das entidades.
A postura do México reflete atritos que começaram na proposta de criação da FFE, empresa para investimentos privados que desencadeou a crise. Mesmo após a retirada do projeto e do pedido de desculpas de Infantino, os mexicanos mantiveram o respaldo ao dirigente, aproximando-se do posicionamento da Conmebol.
"A Federação Mexicana não reconhecerá nem aprovará qualquer processo que seja convocado à margem dessa institucionalidade e adere ao chamado feito pelo Presidente Infantino", declarou a entidade mexicana em nota.
O cenário internacional mostra divisões em quase todos os continentes
- Uefa: Nenhuma das 55 associações apoiou Infantino, mas apenas Inglaterra, País de Gales, Sérvia e Suécia criticaram publicamente de forma individual.
- AFC (Ásia): Oposição declarada da confederação, embora Catar, Kuwait, Emirados Árabes, Butão e Sri Lanka apoiem o presidente.
- CAF (África): Unanimidade a favor de Infantino entre as 54 associações.
- OFC (Oceania): Mantém postura neutra, mas a Nova Zelândia expressou ressalvas sobre a proposta da FFE.
Resposta da Fifa
Em meio às pressões, a entidade máxima do futebol defendeu Gianni Infantino no último sábado (8) e rechaçou tentativas de desgaste do seu mandato fora das instâncias formais.
A Fifa não apoiará, facilitará ou tolerará qualquer processo relacionado à eleição do presidente da Fifa que seja inconsistente com os estatutos da Fifa", escreveu a entidade. "Se vocês não conseguem maioria entre as federações para derrotar o Infantino numa eleição, não tentem derrubá-lo por meio de denúncias, rumores e matérias jornalísticas.
A definição do comando da entidade ocorre no Congresso da Fifa, onde cada uma das 211 associações possui um voto secreto. Embora a destituição seja prevista, o recurso nunca foi utilizado e enfrenta entraves de prazos antes do pleito de 2027.