O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pediu desculpas pelos erros na condução do projeto comercial Fifa Forward Enterprise (FFE), mas continuou sob pressão de dirigentes que questionam sua capacidade de permanecer no comando da entidade. O pedido foi feito durante reunião do Conselho da Fifa nesta quinta-feira (15), em Zurique, na Suíça.
A proposta previa a criação de uma empresa para administrar direitos comerciais de competições organizadas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo, com a possibilidade de vender uma participação minoritária a investidores privados. O plano foi retirado após gerar forte resistência entre dirigentes do futebol internacional.
Em uma declaração divulgada pela própria Fifa após a reunião, Infantino reconheceu falhas no processo de comunicação e consulta e afirmou que a iniciativa não chegou a se tornar um acordo fechado.
O encontro durou cerca de três horas e meia. Depois da reunião, o dirigente não concedeu entrevistas e divulgou um pronunciamento gravado.
Dirigentes europeus cobram transparência
A presidente da Federação Inglesa de Futebol e vice-presidente da Fifa, Debbie Hewitt, afirmou que diversas questões levantadas durante a reunião continuaram sem resposta, especialmente os pedidos de acesso aos documentos relacionados ao projeto FFE.
Em declaração à BBC, Hewitt disse que os integrantes do Conselho foram orientados a encaminhar as perguntas por escrito. A dirigente defendeu que Infantino apresente esclarecimentos e afirmou que, sem respostas, ele não estaria apto a continuar na presidência.
A oposição também foi manifestada pelo presidente da Federação Alemã de Futebol, Bernd Neuendorf, que defendeu uma reformulação da governança da entidade e afirmou que a mudança não seria possível com Infantino no comando.
As críticas aumentam a pressão sobre o dirigente, que busca apoio para disputar um novo mandato nas eleições previstas para março de 2027.
Fifa promete ampliar investimentos no futebol
Durante a reunião, a entidade também apresentou uma proposta para ampliar os recursos destinados ao desenvolvimento do futebol entre 2027 e 2030.
O plano prevê investimentos de US$ 6,35 bilhões para as 211 associações nacionais filiadas à Fifa, confederações e outras entidades ligadas ao futebol. Pelo modelo apresentado, cada associação poderá receber até US$ 25 milhões no período.
A proposta prevê a utilização de parte das reservas financeiras da entidade e dos resultados comerciais da Copa do Mundo de 2026. Os detalhes de distribuição, controle e auditoria ainda precisam passar pelas instâncias responsáveis da Fifa.
Infantino defendeu o aumento dos repasses e afirmou que os recursos pertencem às associações filiadas.
O presidente também reiterou que o objetivo do projeto FFE era ampliar os investimentos no esporte, mas confirmou que a iniciativa foi retirada permanentemente e não será apresentada novamente.
Dirigentes africanos manifestam apoio
Enquanto representantes de algumas federações europeias intensificaram as críticas, dirigentes africanos demonstraram apoio à continuidade da gestão de Infantino.
O integrante do Conselho da Fifa e presidente da Federação Mauritana de Futebol, Ahmed Yahya, afirmou que a entidade precisa buscar soluções para o futuro e ampliar o desenvolvimento do esporte em diferentes regiões.
Yahya também defendeu que eventuais reformas institucionais alcancem as confederações continentais e as associações nacionais, e não apenas a cúpula da organização.
Futuro da presidência segue em debate
A crise em torno do projeto comercial ocorre em meio às discussões sobre a sucessão de Infantino, que está à frente da Fifa desde 2016 e busca um quarto mandato.
Outro nome citado em especulações sobre uma possível disputa é o de Arsène Wenger, atual diretor de desenvolvimento de futebol da entidade. Até o momento, porém, não há confirmação de candidatura do francês à presidência.
A Fifa informou que pretende responder aos questionamentos pendentes e anunciou a criação de um grupo de trabalho para avaliar possíveis reformas na governança. A entidade também determinou a revisão de procedimentos disciplinares e uma avaliação sobre o Prêmio da Paz da Fifa, temas que igualmente foram discutidos na reunião do Conselho.
As respostas de Infantino às cobranças e o andamento das propostas de reforma devem influenciar os próximos debates sobre a gestão da entidade.