A intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, decretada na última terça-feira (3), provocou um forte impacto na estrutura financeira do futebol sul-americano. A Conmebol confirmou ter US$ 14 milhões (aproximadamente R$ 76 milhões) retidos na instituição em uma aplicação de prazo fixo. Apesar do bloqueio, a confederação assegurou que o pagamento de todas as premiações das copas Libertadores e Sul-Americana de 2026 está garantido.
O colapso da instituição financeira atingiu diretamente a rotina dos clubes locais e da Associação Paraguaia de Futebol (APF), cujas contas eram geridas pelo Ueno Bank. O bloqueio impediu o acesso a salários e premiações de atletas e comissões técnicas, motivando um manifesto da seleção paraguaia divulgado e apoiado pelo zagueiro Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras. Em resposta, equipes tradicionais como Olimpia e Cerro Porteño já moveram ações jurídicas e removeram a marca de seus uniformes.
A medida drástica do autorizador monetário ocorreu após o índice de solvência do banco despencar para 5,56%, patamar bem abaixo do exigido por lei (12%). O escândalo financeiro culminou em ordens de prisão contra oito executivos ligados ao banco e desdobramentos políticos de grande proporção, resultando na renúncia de Carlos Carvallo do Banco Central e na entrega do pedido de renúncia do próprio presidente do Paraguai, Santiago Peña.