A classificação do Botafogo às oitavas de final do Mundial de Clubes, apesar da derrota por 1 a 0 para o Atlético de Madrid, foi celebrada como um feito histórico pelos jogadores. Em meio ao calor californiano e à pressão de um grupo considerado o mais difícil do torneio, o elenco valorizou o avanço inédito e respondeu, nas palavras, às desconfianças que cercavam o time antes da competição.
Artur, um dos destaques ofensivos da equipe, foi direto ao reconhecer o esforço coletivo e o peso do resultado. "O sol estava muito quente, mas não é desculpa. Viemos para ganhar, mas faz parte. A missão foi cumprida: estamos classificados", afirmou. Ainda assim, o atacante admitiu o sabor agridoce do desfecho. "Saímos tristes pelo resultado, um empate era de bom tamanho, mas felizes pela classificação. É um equilíbrio de emoção."
Autor de boas jogadas no segundo tempo, Igor Jesus também citou o desgaste físico e o calor em Pasadena, mas preferiu mirar no significado maior da campanha. "Muita gente duvidava que classificaríamos. Provamos que nosso elenco tem qualidade. Depois do jogo contra o PSG, a confiança subiu", disse.
Com seu estilo mais contundente, Alex Telles usou da ironia para rebater as previsões pessimistas que rondaram a participação alvinegra. "Muita gente não confiava no Botafogo. Para quem ia só conhecer o Mickey, passamos no grupo da morte. E o grupo era forte porque tinha o Botafogo", disparou. O lateral ainda exaltou o apoio da torcida: "Parecia que estávamos em casa. Merecemos tudo o que estamos conquistando."
Já o volante Marlon Freitas projetou o que vem pela frente com confiança e maturidade. Para ele, o momento é de aproveitar o feito, mas sem perder o foco. "Não escolhemos estar nesse grupo, mas conseguimos. O Botafogo está preparado. Não queremos parar por aqui, temos muita coisa ainda para escreve", disse, resumindo o espírito coletivo que sustenta a campanha alvinegra.
Renato Paiva valoriza vaga e destaca peso do futebol brasileiro no cenário global
Para o técnico Renato Paiva, mais do que a vaga, ficou o orgulho por enfrentar um dos times mais estruturados da Europa em pé de igualdade e, sobretudo, representar bem o futebol brasileiro em uma competição global.
Ele reconheceu que o desempenho da equipe esteve abaixo do apresentado na vitória sobre o PSG, por 1 a 0, na rodada anterior. mas fez questão de ponderar o contexto. "Sabíamos que estaríamos jogando contra uma grande equipe. Avançamos demais a marcação em alguns momentos e isso nos colocou mais próximos da área do que gostaríamos", explicou. Ainda assim, o treinador valorizou a postura competitiva do Botafogo, mesmo diante de um adversário com alto nível técnico e físico.
O treinador lamentou não ter conseguido controlar mais o jogo com a posse de bola, e citou a chance perdida por Savarino logo no início como um possível ponto de virada. "Poderia ter mudado a história", disse. Mas, para Paiva, o que contou mesmo foi a classificação, mesmo que conquistada em um jogo que exigiu mais contenção do que criação. "Não foi tão bom quanto contra o PSG, mas avançamos. Conseguimos classificar", afirmou, com alívio.
Além do jogo, Paiva fez questão de elogiar o futebol brasileiro como um todo. "O Brasil é um país imenso, com um futebol muito especial. Produz jogadores para o mundo inteiro, tem técnicos excelentes", destacou. Em tom mais firme, o treinador aproveitou para rebater críticas generalizadas ao nível técnico do Brasileirão e afirmou que o Mundial tem sido uma vitrine para desmistificar certas percepções.
"Muita gente acha que o futebol brasileiro é mais fraco do que realmente é. Nosso campeonato é muito difícil e temos orgulho de representar bem o nosso país"", completou.
A classificação no segundo lugar do grupo, superando Atlético de Madrid e Seattle Sounders na tabela, coloca o Botafogo no caminho do líder do Grupo A, em confronto já marcado para o próximo sábado, na Filadélfia.