Antes mesmo de seu início, a Copa do Mundo de 2026 se credenciava como aquela que poderia destruir recordes. A estrutura da 23ª edição, por si só, já se exibia como imponente. É a primeira da história sendo realizada em três países. E também é a maior da história no número de participantes com 48 seleções. Logo, será a Copa com o maior número de partidas. Ao todo, serão 104 jogos. Justamente por isso deverá ser a Copa com o maior número de gols. Esse recorde pertence ao Mundial do Catar, que teve 172 gols. No entanto, a Copa de 2026, nos Estados Unidos, no México e no Canadá, já teve um terço disso antes mesmo do fim da primeira rodada. Foram 62 gols em vinte jogos até agora.
Vejam só
como são as coisas. Nessa primeira semana de Copa do Mundo, foram os ‘velhinhos’
que brilharam. Um por evitar gols, caso do goleiro Vozinha, do estreante Cabo
Verde. O jogador de 40 anos segurou o forte ataque da Espanha. Aliás, Cabo
Verde comemorou como um título o seu primeiro pontinho somado em Copas do
Mundo.
E no quesito
bola na rede, recordes já estão sendo trucidados. E, gostando ou não, temos que
nos render à genialidade de Lionel Messi, o maior artilheiro da história dos
Mundiais. Ele foi o autor dos três gols na vitória da Argentina sobre a Argélia
na estreia da atual campeã, na noite desta terça-feira, 16 de junho de 2026. Messi
chegou a 16 gols alcançando a marca de Klose. O alemão chegou a 16 no Mundial
de 2014, quando a Alemanha faturou o título aqui no Brasil. Aliás, o 16º gol
dele ocorreu justamente na vitória por 7 a 1 dos alemães sobre a Seleção Brasileira.
Talvez por isso, muitos de nós estejamos na torcida para que Messi se isole
como o maior artilheiro da história das Copas. E não esqueçamos do francês
Mbappé, que já tem 14 e aparece nessa disputa. O camisa 10 da França vivencia
sua terceira Copa e tem duas finais no currículo, marcando gols em ambas, o que
é digno de aplausos. Mas Messi é, simplesmente Messi. Aliás, esse sobrenome ecoa
no mundo do futebol há duas décadas.
Vinte anos
atrás, o ainda garotinho Lionel Messi já aparecia na seleção Argentina numa
Copa do Mundo. Em 2006, na Alemanha, ele era o ‘caçulinha’ do time. Apenas 18
anos e com o número 19 nas costas. Ainda não era o protagonista daquela
Argentina que caiu nas quartas de final para a anfitriã Alemanha. Ainda não era
um fenômeno mundial no futebol. Mas já era gênio. Contra a Sérvia e Montenegro,
marcou o primeiro dos 16 gols em Copas.
E olha só
que curioso: naquele jogo, Messi jogou ao lado do xará Lionel Scaloni, hoje seu
comandante na seleção Argentina. E no jogo contra a Argélia, Messi atuou no
ataque ao lado de Almada, jogador que jogou aqui no Brasil e foi protagonista no
Botafogo. Almada tem 25 anos e está em sua segunda Copa do Mundo. Mas quando
Messi pisou no gramado pela primeira vez, em 2006, Almada tinha apenas cinco
anos de idade. Faço essa comparação porque a impressão é que o tempo parou ao
redor de Lionel Messi.
O ídolo Messi
também foi alvo de contestações. Em 2010, já como astro supremo da Argentina,
passou em branco na África do Sul. Aquela foi a única Copa em que ele não
balançou as redes. E viu sua seleção ser enxotada nas quartas sendo goleada
pela Alemanha.
As
contestações ficaram maiores em 2014, quando Messi, em sua terceira Copa do Mundo,
vivenciava a sua primeira final. Mas, mais uma vez, havia uma Alemanha no
caminho. Messi chorou a perda do título... Ao contrário de nós, brasileiros, que
um pouco antes lamentávamos um dos maiores vexames da história do futebol.
O Messi, de
feitos épicos nos tempos de Barcelona, sofria mais uma vez com o jejum da
seleção da Argentina, eliminada de maneira precoce no Mundial de 2018 pela
França, que já contava com Mbappé. Derrota nas oitavas de final. Diante de mais
essa queda, a conclusão parecia óbvia: Messi não tinha sido feito para a Copa
do Mundo... Mas a Copa do Mundo viria a se render ao resiliente Messi.
A
consagração veio em 2022, no Catar. Foram sete gols no torneio, dois deles
justamente na decisão contra a França. Esse desempenho ajudou a tirar a Argentina
da fila e chegar ao tricampeonato. Esse desempenho abriu a possibilidade de
Messi se tornar o maior artilheiro da história das Copas em 2026. A Copa está
só no início. E, pelo que tudo indica, ainda ouviremos o nome de Lionel Messi
ser pronunciado. Gostaríamos que ele estivesse vestindo verde e amarelo...
Por falar
nisso, a Seleção Brasileira é a maior da história. A única que esteve presente
nos 23 Mundiais e única com cinco títulos. Mas, para desespero das gerações
mais jovens, vivemos do passado. Nos tornamos o país do futebol graças a Pelé.
E não temos mais um Pelé. O próprio Pelé, se estivesse vivo, estaria na torcida
por um novo Pelé, o que é pouco provável que aconteça. Tivemos Ronaldo Fenômeno,
Rivaldo, Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho, que até jogou com Messi. Depois
deles, nos apegamos a esta frase: “somos os únicos pentacampeões!” Hoje temos
que reconhecer que a repetição dessa frase vinha com uma dose de soberba. Dizíamos
isso como se os cinco títulos tivessem se tornado numa barreira instransponível
no universo do futebol. O fato é que, após o penta, os fracassos têm se
acumulado. E aquela barreira que parecia instransponível passa a ser mais um
recorde a ser superado. A própria Alemanha, que fez 7 a 1 na gente em 2014, já
começou a Copa com um outo 7 a 1 no modesto Curaçao. E hoje é a recordista no
número de gols em Copas. Chegou a 239 contra 239 da Seleção Brasileira. Abram
os olhos: a Alemanha é tetra e pode ser penta em 2026.
Mas, assim
como o Brasil, os germânicos têm uma barreira pela frente. Precisam passar pela
tricampeã Argentina, a detentora da taça e candidatíssima ao tetra.
E porque a
Argentina é favorita? É porque ela tem algo que nenhuma outra seleção de
futebol do planeta pode ter: o gênio Lionel Messi.