A realização da semifinal da Copa Brasil de vôlei feminino em Londrina gerou um debate jurídico e esportivo durante o programa Tempo Quente, apresentado por Rodrigo Marine, sobre a participação da atleta Tiffany Abreu, do Osasco (SP). Uma lei municipal vigente proíbe que atletas trans — descritas na norma como “homens biológicos” — compitam em modalidades femininas na cidade. A vereadora Jessicão (PL) protocolou um requerimento à prefeitura nesta quinta-feira (26) para alertar sobre o cumprimento da legislação.
O impasse ocorre porque a Federação Brasileira de Voleibol e o Comitê Olímpico Internacional autorizam a participação de mulheres trans no esporte, desde que os níveis hormonais estejam controlados. De acordo com a vereadora, a autonomia municipal para questões de interesse local deve prevalecer. “A partir do momento que eles entram na cidade de Londrina, Londrina tem regra”, afirmou Jessicão. Ela sustenta que a estrutura física masculina pode representar vantagem e defende a criação de categorias específicas para atletas trans.
O apresentador do Tarobá Esporte e ex-atleta Juninho argumentou que a ciência não confirma uma vantagem biológica absoluta após a transição hormonal. “A massa muscular esquelética está totalmente associada a níveis hormonais. A Tiffany, antes da transição, jogava de uma forma totalmente diferente”, explicou. Segundo ele, o monitoramento contínuo da testosterona garante a equidade competitiva, conforme parâmetros das confederações esportivas.
A competição, que conta com apoio do Governo do Estado e patrocínio da Itaipu Binacional, segue confirmada. Enquanto a vereadora cobra fiscalização rigorosa, defensores da inclusão destacam que não há legislação federal que impeça a participação de atletas nas condições atuais.
Em nota, a Prefeitura de Londrina afirma que estuda um posicionamento sobre o tema.