O Santos encerrou o exercício de 2025 com dívida próxima de R$ 1 bilhão, segundo relatório do Conselho Fiscal, que aponta endividamento de R$ 998,5 milhões e passivo total superior a R$ 1,23 bilhão, apesar do forte crescimento de receitas no período.
De acordo com o documento, a maior parte do endividamento está ligada ao dia a dia do clube. As despesas operacionais somam R$ 690,6 milhões, incluindo salários, direitos de imagem, acordos judiciais, empréstimos e débitos com fornecedores.
Outros R$ 307,8 milhões correspondem a dívidas antigas, principalmente impostos parcelados e processos na Justiça, que seguem pressionando as contas santistas e refletem compromissos assumidos em anos anteriores.
O relatório registra ainda R$ 233,4 milhões em receitas antecipadas. Esses valores entram no passivo, mas não representam obrigação imediata de pagamento e, por isso, não integram o cálculo do endividamento principal de R$ 998,5 milhões.
Um dos fatores que ampliaram a dívida em 2025 foi o peso das despesas financeiras. Com alta da taxa Selic e da variação cambial em contratos, o Santos desembolsou R$ 75,9 milhões apenas com encargos financeiros ao longo do ano.
Superávit operacional não evita déficit
Mesmo em cenário de forte pressão nas contas, o clube manteve em dia as certidões negativas de débitos e cumpriu exigências de programas como o Profut. O relatório também destaca renegociações de compromissos com apoio da EXA Capital.
No campo operacional, o Santos registrou superávit de R$ 104,9 milhões, resultado R$ 76 milhões acima do previsto no orçamento para 2025, o que indica melhora na geração de caixa das atividades do futebol e das áreas comerciais.
Apesar disso, o resultado final do exercício foi negativo. O clube apresentou déficit contábil de R$ 79,3 milhões, influenciado por despesas que não afetam o caixa no curto prazo, como amortizações e depreciações, que somaram R$ 94,1 milhões, sobretudo ligadas a contratos de atletas de gestões anteriores.
Também pesaram no balanço as despesas financeiras e provisões para demandas judiciais, que elevaram o custo total da dívida e limitaram o impacto do superávit operacional no resultado final.
Receitas disparam após crise de 2024
Em recuperação financeira, o Santos arrecadou R$ 678,5 milhões em 2025. O montante representa crescimento de quase 70% em relação a 2023, último ano antes da temporada na segunda divisão.
Em 2024, durante a passagem pela Série B, o clube havia arrecadado R$ 407 milhões, número bem abaixo do desempenho atual. Em 2025, a receita ficou cerca de 60% acima do que estava previsto inicialmente no orçamento.
O avanço veio principalmente das cotas de TV, das transferências de atletas e de um aumento expressivo na base de associados, que reforçaram a arrecadação recorrente do clube ao longo do ano.
Neymar impulsiona programa de sócios
A chegada de Neymar teve influência direta no desempenho comercial. O relatório aponta que o impacto da contratação apareceu no engajamento da torcida e na adesão ao programa de sócios.
Segundo os números apresentados, o programa de associados rendeu cerca de R$ 50 milhões em 2025, mais que o dobro do valor inicialmente projetado para o período, consolidando essa fonte como uma das principais linhas de receita do Santos.
Mesmo com o crescimento da arrecadação e o superávit operacional, o clube ainda convive com alto nível de endividamento, impulsionado por encargos financeiros, obrigações fiscais parceladas e contratos herdados de gestões anteriores.