No último domingo (23) todas as jogadoras e o treinador do time feminino do Corinthians publicaram um manifesto em suas redes sociais sobre o slogan “respeita as minas”. Antes da bola rolar entre As Brabas e Internacional, Arthur Elias, técnico, afirmou que a nota não foi direciona ao Cuca ou Duílio.
Segundo Arthur Elias, a nota emitida foi pensada ao longo de dois dias e o intuito era falar sobre o assunto que causa muitos gatilhos nas jogadoras.
“As jogadoras de maneira nenhuma quiseram atingir o Cuca, elas se posicionaram num tema sensível a elas, mulheres, elas têm muitos gatilhos. Elas foram de certa forma até cobradas a se posicionarem. Foi muito discutido, debatido em dois dias, qual seria a melhor forma justamente para não atingir ninguém, nem nosso treinador do time masculino nem nosso presidente pela decisão. Muito cruel, se ele se diz inocente e o clube acredita nisso, imagine o que ele está passando nesses dias desde que veio para o Corinthians”, disse.
O treinador reiterou que a nota ficou mal-entendida e que as atletas se orgulham de vestir a camisa do Corinthians.
“Acho que é importante colocar, explicar melhor para o nosso torcedor, para a sociedade, algo que ficou muito mal entendido. (...) O grupo de atletas quis fazer um posicionamento sobre o tema, elas falam de maneira geral, se orgulham do que é vestir essa camisa do Corinthians, não foi nenhum tipo de manifesto, protesto, as meninas não personalizaram em nenhuma pessoa, não é na figura do Cuca, na figura do nosso presidente, só que há uma interpretação e foi muito mal interpretado tanto pela imprensa quanto pelos nossos torcedores, acho que isso tem que ser corrigido", disse.
O treinador seguiu afirmando que o Corinthians investigou a acusação de Cuca e acredita na inocência do treinador no caso de estupro em 1989, na Suíça, contra uma menina de 13 anos, quando ele ainda jogava pelo Grêmio.
“Foi apenas um posicionamento de um grupo de mulheres, acima de tudo são mulheres, e se manifestaram de uma forma muito respeitosa dentro do cenário e do tema que foi levantado. Acho que a injustiça vem porque o clube contratou o Cuca, que é um treinador supervitorioso, experiente, um dos melhores que a gente tem no país. O Cuca se diz inocente, o clube investigou isso, teve esse cuidado, o Duílio conversou com as jogadores, conversou comigo também, houve um bate-papo muito importante nesse aspecto. Ficou claro que o clube não tem dúvida de que ele é inocente, o Cuca se diz inocente, algo que aconteceu muito tempo atrás”
Cuca foi condenado por estupro? Entenda o caso
A polêmica com Cuca teve início em 1987, quando ainda era jogador e o Grêmio participou de uma excursão pela Europa.
Cuca, Eduardo Hamester, Henrique Etges e Fernando Castoldi foram detidos na Suíça sob a alegação de terem tido relações sexuais com uma garota de 13 anos sem consentimento.
Em depoimento, a vítima, Sandra Pfäffli, afirmou ter ido com amigos ao quarto dos atletas para pedir uma camisa do Grêmio. Na sequência, eles teriam expulsado os colegas dela e a forçado a manter relações sexuais durante 30 minutos.
De acordo com apuração do blog da Marília Ruiz, do “UOL”, consta nos registros policiais e nos autos do processo que a vítima jamais identificou ou apontou Cuca como um dos seus agressores.
À época, os quatro jogadores ficaram detidos por quase um mês e prestaram depoimento mais de uma vez. Em seguida, retornaram ao Brasil.
Dois anos depois, Cuca, Eduardo Hamester, Henrique Etges foram condenados a 15 meses de prisão por atentado ao pudor com uso de violência.
Fernando Castoldi foi absolvido da acusação de atentado ao pudor e condenado por estar envolvido no ato de violência. Como o Brasil não extradita seus cidadãos, eles nunca cumpriram a pena.