Chegou a hora do público brasileiro acompanhar mais uma etapa na madrugada. A Fórmula 1 desembarca no Circuito de Suzuka para mais uma etapa do GP do Japão entre os dias 3 e 6 de abril.
Ainda que seja na madrugada, a prova nipônica costuma brindar a torcida com momentos históricos. Com um Grande Prêmio no país desde 1976, o Japão já foi palco de 13 decisões do campeonato da Fórmula 1, entre elas o primeiro e único título de James Hunt e de dois títulos de Ayrton Senna.
1976 - James Hunt
O Grande Prêmio do Japão estreou na Fórmula 1 em 1976, e logo de cara com uma prova emblemática que decidiu o título daquele ano. Michael Andretti (Lotus) largou da pole position e venceu, com Patrick Depailler (Tyrrell) em segundo e James Hunt (McLaren) em terceiro. Como Niki Lauda (Ferrari) abandonou a prova nas primeiras voltas, em decorrência do cenário perigoso criado pela chuva e pela neblina, Hunt conquistou o título sobre o austríaco por um ponto: 69 a 68.
1987 – Nelson Piquet
Em 1987, Nelson Piquet se tornou o primeiro tricampeão mundial do Brasil ao conquistar o seu último título em Suzuka.
Piquet chegou ao Japão com 12 pontos de vantagem para Nigel Mansell, seu companheiro de equipe na época. A corrida em Suzuka prometia muita emoção, com a disputa entre os pilotos da Williams pelo título até o fim. Porém, o “Leão” bateu no treino classificatório e ficou de fora da corrida.
Com isso, o título de Piquet estava garantido e o brasileiro se despedia da equipe de Frank Williams na corrida seguinte, o GP da Austrália, e arruma sua mala a caminho da Lotus.
1988 - Ayrton Senna
Bastava uma vitória para Senna conquistar por antecipação o seu primeiro título mundial. Ele fez a pole, mas o motor de sua McLaren parou na hora da largada. Quando o carro pegou, Senna tinha caído para a 14ªposição, enquanto Alain Prost, seu companheiro de equipe, e com quem disputava o título, era o líder.
No final da 19ª volta, Senna já era o segundo. A garoa que caiu em Suzuka foi o ingrediente ideal para Senna tirar a diferença para Prost e encostar no francês, conseguindo a ultrapassagem na reta, na 27ª das 51 voltas. A partir daí, seguiu inabalável rumo ao título, abrindo treze segundos de vantagem sobre o francês no final da corrida.
Senna cruzou a linha de chegada visivelmente emocionado. Depois, contou que, quando se aproximava da bandeirada, pôde ver e sentir a presença de Deus.
1989 - Alain Prost
Ayrton Senna foi campeão da Fórmula 1 em 1988 e poderia conquistar o bicampeonato em 1989. Para isso, precisaria superar o próprio companheiro de equipe na McLaren, Alain Prost, que buscava o tricampeonato após se consagrar em 1985 e 1986.
No GP do Japão, o brasileiro ainda largou na pole position, mas perdeu a liderança para Prost logo na largada. Começou ali uma perseguição que durou várias voltas: Senna se aproximava, mas não conseguia o bote certeiro para retomar o primeiro lugar. A concorrência já havia ficado para trás.
Até que veio a volta 46. Senna saiu da curva 130R em um ritmo forte, do lado direita da pista, com a preferência para entrar na chicane que fecha a volta. Prost vinha pela esquerda, à frente, mas antecipou a tomada para a direita na tentativa de fechar a porta. As duas McLaren se enroscaram e pararam.
No fim, Nannini venceu, Senna não pontuou e Prost ficou com o título. Ambos abandonaram o GP da Austrália, e terminaram com a mesma pontuação conquistada no GP da Espanha: 76 a 60.
1990 - Ayrton Senna
Em 1990, com Senna na McLaren e Prost indo para a Ferrari, a rivalidade entre os dois seguiu a flor da pele e o palco da decisão era o mesmo da temporada anterior: Suzuka, no Japão. Senna e Prost já haviam interrompido o convívio amistoso que marcou o primeiro ano da parceria e estavam em pé de guerra na reta final da temporada 1989.
Prost precisava vencer para conquistar o título. A direção da prova negou a Senna, pole position, o direito de largar do lado esquerdo, o mais limpo e emborrachado da pista.
Prost, segundo colocado no grid, largou pelo lado de fora, enquanto Senna seria prejudicado pela sujeira do lado interno da pista. E o brasileiro, a cerca de 250 km/h, simplesmente não freou para a primeira curva, como revelaria a telemetria, colidindo com o rival. O campeonato estava decidido, com Ayrton bicampeão mundial.
1991 - Ayrton Senna
No dia 20 de outubro de 1991, o Brasil celebrava o seu último título mundial na Fórmula 1. No GP do Japão, Ayrton Senna conquista o tricampeonato após um erro de Nigel Mansell no início da prova.
Senna só não conquistou sete vitórias naquele ano, porque terminou a corrida no Japão em segundo, após tirar o pé e ceder a vitória ao seu companheiro na McLaren, Gerhard Berger.
1996 - Damon Hill
Em 13 de outubro de 1996, Damon Hill se tornou o primeiro filho de um campeão a repetir o feito do pai na Fórmula 1. Após 28 anos, a família Hill conquistava o seu terceiro título mundial.
Após dois anos perdendo o campeonato para Michael Schumacher, Hill finalmente conseguiu bater o alemão, que não era o seu rival pelo título em 1996, e sim Jacques Villeneuve, seu companheiro na Williams. O filho de Graham Hill assumiu a ponta na largada em Suzuka para nunca mais perder e repetir um feito que apenas foi igualado em 2016 com Nico Rosberg.
1998 e 1999 - Mika Häkkinen
Primeiro em 1998, Mika Häkkinen chegou ao Japão 90 pontos no campeonato de pilotos e Michael Schumacher, seu rival na disputa pelo título, com 86. A pole ficou com o alemão e o finlandês voador ficou apenas dois décimos atrás. Nessa história, um homem ganharia o terceiro título, e o outro, o primeiro.
Porém, isso ninguém esperava: Schumacher deixou carro morrer na volta de apresentação, largou do fim do grid e abandonou a prova com pneu furado. Mika liderou a prova de ponta a ponta em uma corrida até que fácil, segundo o próprio.
“Sempre há um problema quando você está liderando facilmente assim, e aconteceu comigo com cerca de 10 voltas para o fim, que é a tendência de sua mente começar a pensar em outras coisas. Eu quase comecei a assobiar no carro", comentou.
Já em 1999, as coisas foram um pouco diferentes. O piloto da McLaren venceu praticamente de ponta a ponta a prova, um final de semana praticamente perfeito, em Suzuka e nem deu margem para ser ameaçado por Eddie Irvine, seu rival naquele ano na disputa pelo “caneco”.
2000 e 2003 - Michael Schumacher
Foram 7.762 dias, ou melhor, 21 anos que a Ferrari não via um piloto com o Cavallino Rampante estampado em seu peito ser campeão mundial na Fórmula 1. Isso até Michael Schumacher conquistar o tricampeonato mundial em 2000, após duas derrotas para a McLaren e Mika Häkkinen.
Por mais que Häkkinen tenha assumido a ponta da prova após uma largada péssima do alemão. Schumacher e a Ferrari tiraram um coelho da cartola com a estratégia nas paradas e assim o “Barão Vermelho” conquistava o primeiro de cinco títulos com a Ferrari.
O ano de 2003 mostrou que Schumacher não era apenas mais um campeão mundial, mas dentro de um seleto grupo da Fórmula 1, o alemão estava além dele. No dia 12 de outubro daquele ano, a F1 conheceu seu primeiro hexacampeão mundial.
Um sexto título conquistado graças a Rubens Barrichello, que em momento algum da prova, deu chances para que Kimi Räikkönen. Na chegada aos boxes, Schumacher, que chegou apenas na oitava posição, mas o suficiente para ser campeão, fez questão de cumprimentar o brasileiro.
2011 - Sebastian Vettel
O bicampeão mais jovem da história da Fórmula 1, essa foi a marca alcançada por Sebastian Vettel quando conquistou o seu segundo título mundial em 2011. Mesmo não vencendo a prova em Suzuka, o quarto lugar deu os pontos que o alemão precisava para levar o “caneco” para casa com quatro corridas de antecedência.
2022 - Max Verstappen
Um confuso Grande Prêmio do Japão coroou Max Verstappen como o campeão da temporada 2022 da Fórmula 1. O holandês da Red Bull venceu a prova, que sofreu um atraso de mais de duas horas em decorrência das chuvas e teve apenas 28 voltas. Como as 28 voltas foram suficientes para a distribuição integral dos pontos, Verstappen somou 25 pontos, contra 18 do companheiro da Red Bull e 15 do rival da Ferrari. Foi o suficiente para levar o bicampeonato para casa.