O aumento de 88% no uso de canetas emagrecedoras em 2025 e o avanço do diabetes no Brasil colocaram o descarte de agulhas e seringas usadas no centro de uma mobilização de entidades médicas, que tratam o tema como questão de saúde pública.
Avanço do diabetes e dos remédios injetáveis
O país já ocupa o sexto lugar no ranking mundial de diabetes, com 16,6 milhões de pacientes. No Paraná, a Secretaria Estadual de Saúde aponta que a doença foi a terceira principal causa de mortalidade prematura entre pessoas de 30 a 69 anos, na série histórica de 2018 a 2022.
No mundo, o Atlas Global do Diabetes 2025, da International Diabetes Federation, estima que 589 milhões de adultos vivem com a doença, o que representa uma morte relacionada ao diabetes a cada seis segundos.
Além dos pacientes diabéticos, pessoas em tratamento para obesidade, infertilidade, doenças autoimunes e infecciosas também usam regularmente materiais perfurocortantes em casa, o que aumenta o volume de resíduos gerados nos domicílios.
Risco dentro de casa e na coleta de lixo
Com mais aplicações, cresce o risco de acidentes. Agulhas e seringas jogadas no lixo comum podem ferir familiares, catadores, coletores e profissionais da limpeza urbana, com possibilidade de transmissão de doenças.
Para enfrentar o problema, a campanha Descarte Amigo – Agulha no Lixo é um Perigo orienta a população sobre o passo a passo do descarte correto, seguindo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para resíduos perfurocortantes.
Como descartar agulhas e seringas em segurança
O procedimento, segundo a campanha, é simples e pode ser feito dentro de casa. Após o uso, o paciente não deve jogar agulhas e seringas diretamente no lixo comum. A orientação é separá-las imediatamente e colocá-las em um recipiente rígido, como um frasco vazio de amaciante.
Esse recipiente precisa ter tampa com boa vedação e deve ser preenchido apenas até três quartos da capacidade. Na parte externa, é recomendado identificar o conteúdo com avisos de cuidado com agulhas, para alertar quem manusear o material.
Ao atingir esse limite, o frasco deve ser levado até a Unidade Básica de Saúde mais próxima, que fará o encaminhamento para o tratamento e descarte adequados.
Mobilização de entidades médicas
A campanha Descarte Amigo conta com apoio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, da Sociedade Brasileira de Diabetes, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, além de outras entidades médicas e sanitárias.
No Paraná, pacientes da rede pública recebem orientações diretamente nas farmácias das regionais de saúde sobre como acondicionar e devolver o material usado.
Para a endocrinologista Daniele Zaninelli, um gesto simples, feito dentro de casa, pode evitar acidentes graves e até salvar vidas. Na avaliação da médica, em um cenário de aumento no uso de medicamentos injetáveis, informação e responsabilidade são as principais formas de prevenção.