Uma estudante da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), vítima de uma tentativa de feminicídio em Apucarana, no Norte do Paraná, não compareceu à própria formatura por motivos de segurança. A jovem se formou no curso de Administração, mas permanece escondida por medo do ex-companheiro, apontado como autor do crime.
Durante a cerimônia, uma carta escrita pela formanda foi lida por uma professora. No texto, ela relata o motivo da ausência e afirma que ainda teme pela própria vida e pela segurança do filho.
“Não estou presente porque aquele que me atentou contra a minha vida e a vida do meu filho permanece em liberdade”, escreveu.
A estudante também afirmou que a ausência não foi uma escolha, mas consequência da situação que enfrenta.
“Minha ausência não é uma escolha. É o retrato de um sistema que ainda impõe à vítima o recolhimento, enquanto o agressor circula sem restrições. Ainda assim, quero que saibam, ele não venceu.”
Tentativa de feminicídio ocorreu em fevereiro
O crime aconteceu no dia 10 de fevereiro, em Apucarana. Segundo a vítima e testemunhas, ela estava em um carro com o filho de 9 anos quando o veículo foi interceptado por outro automóvel dirigido pelo ex-companheiro, identificado como Ademar Augusto Crepe, de 58 anos.
De acordo com o relato, o homem jogou o carro contra o veículo da mulher. Ela perdeu o controle da direção e bateu em um poste, que caiu sobre o automóvel.
Ainda segundo a vítima, o suspeito tentou atirar contra ela após a batida, mas o revólver falhou. A mulher e a criança foram socorridas e encaminhadas ao hospital com ferimentos.
Após o crime, o suspeito fugiu. A Justiça decretou a prisão dele, mas o homem continua foragido.
Vítima permanece escondida
Mesmo com uma medida protetiva concedida pela Justiça, a vítima afirma que não se sente segura e decidiu permanecer escondida até que o suspeito seja localizado.
Para a presidente da Comissão de Violência de Gênero da OAB do Paraná, Gisele Silva Maestrelli, é necessário aprimorar os mecanismos de proteção às vítimas de violência doméstica para que as medidas judiciais tenham maior eficácia.
Carta emocionou cerimônia de formatura
Na carta lida durante a cerimônia, a estudante destacou que conseguiu concluir o curso mesmo enfrentando o medo e a violência.
“Persisti quando o mundo parecia exigir apenas que eu sobrevivesse.”
A leitura foi seguida por aplausos dos presentes na cerimônia.