A vida de Isabella Perricelli de 49 anos, moradora de centro de Londrina, sofreu uma reviravolta em março deste ano. Ela descobriu que é filha adotiva e conheceu a sua grande família biológica, incluindo mãe e irmãos, que moram em Campo Mourão.
"Para mim foi uma realização de Deus na minha vida. Como filha única, sempre sonhei em ter irmãos e sobrinhos. Deus me deu 6 novos irmãos - 4 mulheres e dois homens - e mais de 25 sobrinhos", comemora a empresária, que obteve a confirmação através de um exame de DNA concluído na semana passada.
"Na adolescência eu desconfiava, tinha no meu coração que eu era filha adotiva. Mas, se você me perguntar por que, eu não sei te falar", diz Isabela, que era filha única dos pais adotivos. "Fui criada a vida toda com muito amor", completa.
O pai de criação nunca quis contar a verdade sobre a adoção. Após o falecimento dele, ela ficou sabendo da verdade através de familiares. "Quando eu descobri, a única informação que eu obtive é que havia nascido de 7 meses, que meus pais eram lavradores e que eu havia nascido em Campo Mourão".
Através de um site de Campo Mourão, Isabella fez um anúncio com fotos e informações e, no dia seguinte, foi contactada pela família biológica, que reconheceu a história do bebê nascido prematuro doado para a adoção.
"Não sinto raiva de ninguém"
Apesar de não ter sido informada sobre a adoção, Isabella diz que não tem sentimentos negativos por ninguém. "Hoje eu sou uma pessoa muito feliz, amada tanto pela família adotiva, quanto pela biológica". Depois de visitar a nova família em Campo Mourão, a empresária descobriu os motivos que levaram os pais biológicos a tomarem uma atitude tão drástica.
Isabella foi a quinta filha de dona Maria, que trabalhava na roça e levava uma vida simples. No sexto mês de gestação, ela sofreu uma hemorragia e foi levada às pressas ao hospital, onde deu à luz prematuramente. O bebê estava com a saúde debilitada, e os médicos informaram que dona Maria precisaria deixar a filha internada, se quisesse que o bebê sobrevivesse.
Sem dinheiro para pagar o hospital, a mãe recorreu ao seu patrão na fazenda onde trabalhava, mas ele negou emprestar dinheiro para custear o tratamento. O pediatra que cuidava da recém nascida propôs colocar o bebê para adoção. Percebendo que essa era a única forma de garantir o tratamento da filha, a mãe aceitou a proposta.
Isabella espera que sua experiência inspire outras pessoas que estão buscando parentes desaparecidos. "Gostaria que minha história fosse divulgada para que as pessoas não percam a fé e a esperança. Quero que as pessoas não desistam".