A Grande Reserva Mata Atlântica, um território que abraça quase três milhões de hectares entre o Paraná, Santa Catarina e São Paulo, está se revelando muito mais do que um santuário ecológico. No coração deste bioma, artistas de diversas idades e estilos estão transformando elementos da natureza, como a argila, a madeira e até peles de peixe, em linguagens artísticas que encantam o mundo. Para Ricardo Borges, coordenador da iniciativa, esses talentos atuam como tradutores da floresta, ajudando a conservar o que é essencial para a vida através da cultura e da identidade local.
No litoral paranaense, nomes como Isaurina Maria, de Morretes, dedicam décadas à ilustração botânica, levando a beleza das nossas plantas para exposições internacionais. Já em Antonina, o destaque fica para projetos sociais e sustentáveis, como a ManuPekena Biscuit, que gera autonomia para mulheres em vulnerabilidade, e o trabalho pioneiro de Leocília Oliveira, que transforma escamas de peixe em biojoias. A região ainda conta com a sensibilidade de ceramistas como Marcel Fernandes e Samuel Duleba, que moldam no barro as aves e as texturas típicas do manguezal e da serra.
A força criativa atravessa as divisas estaduais e ganha fôlego em Santa Catarina e São Paulo. Em São Francisco do Sul, o marceneiro Rogério Sauer dá vida nova a madeiras trazidas pelo mar, enquanto em Jaraguá do Sul, as ilustrações de Cássio Marcel ajudam a "desacelerar o mundo". No Vale do Ribeira paulista, a fibra de bananeira vira arte nas mãos de Léia Alves, mostrando que a economia criativa é uma ferramenta poderosa de resistência. Juntos, esses artistas formam uma rede viva que transforma o bioma em memória e reforça o sentimento de pertencimento a um dos maiores tesouros naturais do planeta.