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Com balística forense avançada, Polícia Científica elucida conexão de crimes distintos

20 jan 2026 às 08:13
Por: Agência Estadual de Notícias
Foto: PCPR

A balística forense desempenha papel fundamental na elucidação de crimes cometidos com arma de fogo, unindo rigor técnico, análise científica e tecnologia de alcance nacional. Em um caso recente, o trabalho foi determinante na identificação da mesma arma utilizada em dois homicídios distintos, ocorridos em Curitiba e Piraquara, na Região Metropolitana, mostrando como a ciência forense contribui para a identificação e conexões entre crimes.


Na comparação balística, os peritos analisam os elementos balísticos em um microscópio comparador. Quando apresentam correspondência, é possível concluir que os materiais analisados foram disparados pela mesma arma. “Nos casos em que há uma arma suspeita apreendida, os projéteis e estojos coletados em locais de crime são comparados com aqueles obtidos da arma, sendo possível determinar se ela foi usada em um incidente”, explica o perito oficial André Coelho.


No caso de Curitiba, os materiais foram comparados com registros de outros crimes, que inicialmente não possuíam conexão. Após consulta no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab), foi possível apontar correspondências posteriormente examinadas e confirmadas pelos peritos criminais, garantindo a conclusão sobre a arma utilizada nos dois homicídios.


“Ao inserir no Sinab os materiais balísticos relacionados a um crime, é possível compará-los com outras peças armazenadas no banco de dados. O sistema retorna as imagens mais parecidas, que são então minuciosamente analisadas por um perito oficial criminal. Ao constatar pelas imagens que as amostras podem ser oriundas de uma mesma arma de fogo, o profissional solicita as peças físicas para realizar a confirmação no Microscópio Comparador Balístico”, destaca André.


Com o apoio do Sinab, a PCIPR pôde não apenas confirmar a participação da arma nos homicídios, mas também corroborar que crimes distintos foram cometidos por ela. No caso de Curitiba, essa colaboração foi decisiva para conectar os dois homicídios e comprovar tecnicamente a utilização da mesma arma.

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“Com os resultados obtidos através do sistema, a Polícia Científica pode gerar linhas de investigação para a Polícia Civil, indicando quando crimes foram cometidos por uma mesma arma de fogo ou quando uma arma participou de um crime, independentemente dos rumos da investigação”, afirma o diretor operacional, Leonal Letnar Jr.


Essa integração permite que as forças de segurança atuem de forma preventiva e investigativa ao mesmo tempo: enquanto a Polícia Civil conduz diligências, a Polícia Científica, por meio de análises balísticas e validação dos matches no Sinab, consegue gerar linhas de investigação adicionais, mesmo em casos em que ainda não havia suspeitos identificados — colaboração decisiva para conectar os dois homicídios e comprovar tecnicamente a utilização da mesma arma.


Além de ampliar a capacidade de correlação entre crimes, o uso do Sinab contribui diretamente para a otimização do tempo de resposta pericial. Embora os exames balísticos exijam análises minuciosas e criteriosas, o sistema permite direcionar o trabalho dos peritos apenas para os vestígios que apresentaram correspondência, tornando o processo mais eficiente sem comprometer o rigor técnico.


Por se tratar de uma ferramenta nacional, o Sinab ainda possibilita a comparação de vestígios balísticos entre diferentes estados da Federação, permitindo inclusive identificar o deslocamento de armas de fogo envolvidas em crimes cometidos em locais distintos e fortalecendo a integração entre as Polícias Científicas de todo o país e a Perícia da Polícia Federal.


DESTAQUE NACIONAL – O trabalho balístico da Polícia Científica do Paraná tem se destacado em âmbito nacional pela expressiva quantidade de matches confirmados no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). Em 2025, a instituição foi reconhecida durante a InterForensics — a maior conferência de ciências forenses da América Latina — ao alcançar a marca de 750 matches desde a implementação do sistema, em 2022. Atualmente, esse total já chega a 952 matches.


“Nos últimos anos, a Polícia Científica do Paraná, com o apoio da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e do Governo do Estado, reforçou investimentos em equipamentos, novas contratações e treinamento das equipes para responder a casos que, antes, não apresentavam correlação. Fomos o primeiro estado a alcançar uma correspondência — o chamado ‘match’. Hoje, somos referência na área e estamos prestes a atingir a marca de mil correspondências”, destacou Leonel.

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