A Companhia Paranaense de Energia (Copel) tem o prazo de 30 dias para apresentar um plano de ação detalhado visando solucionar as interrupções frequentes no fornecimento de eletricidade no Paraná. A determinação ocorreu na última terça-feira (5), durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, que reuniu representantes da indústria, do agronegócio e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Além do cronograma da companhia, a Aneel também ficou responsável por elaborar um plano de fiscalização técnica para o segundo semestre de 2026, motivado pelo aumento no volume de reclamações dos consumidores.
O debate no Senado foi impulsionado por relatos de prejuízos severos no setor produtivo. Entre os casos de maior impacto, destaca-se a morte de 20 mil frangos em uma granja em São Miguel do Iguaçu após uma queda de energia. O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a instabilidade elétrica se tornou um "fator de risco constante" para a atividade rural, enquanto o diretor da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, ressaltou que mesmo falhas de poucos segundos são suficientes para desarmar linhas de produção sensíveis e gerar perdas financeiras.
Embora dados da Aneel indiquem que a média de tempo sem energia no estado em 2025 tenha ficado em sete horas — dentro do limite regulatório —, a agência admitiu que o crescimento das queixas acendeu um alerta. Em resposta, o diretor-geral da Copel, Antônio Villela de Abreu, atribuiu parte das falhas à intensificação de eventos climáticos extremos e destacou que a empresa está investindo na ampliação da rede e no reforço do quadro de eletricistas. O plano exigido pelo Senado deverá focar em medidas de robustez do sistema antes do período de chuvas, previsto para começar entre setembro e outubro.
A audiência também abordou a revisão tarifária da Aneel, que pode elevar a conta de luz em até 19% para o consumidor geral a partir de junho, com impactos que podem chegar a 51% em setores específicos da indústria. Representantes do setor produtivo questionaram o reajuste diante da qualidade do serviço prestado e cobraram que o plano de 30 dias traga melhorias efetivas. Segundo o diretor comercial da Copel, Julio Shigeaki Omori, a meta é garantir que o sistema esteja preparado para os temporais do fim do ano, conferindo maior segurança jurídica e operacional ao agronegócio paranaense.