As tentativas de feminicídio cometidas com uso de fogo cresceram 77% entre 2023 e 2025, segundo levantamento do Observatório de Feminicídios de Londrina. O aumento acende um alerta entre pesquisadores, que apontam possível relação com o crescimento de movimentos online que propagam discurso de ódio contra mulheres.
De acordo com o estudo, o avanço de comunidades digitais associadas ao chamado “red pill” pode estar relacionado ao aumento desses casos, reforçando a preocupação com a influência de ambientes virtuais na escalada da violência de gênero.
Além da violência extrema, especialistas destacam que o uso do fogo carrega um forte simbolismo. Em muitos casos, o agressor não busca apenas matar a vítima, mas também destruir seu corpo, o que evidencia um padrão de violência ainda mais grave.
O levantamento aponta ainda que 46% dos casos resultam em morte da vítima. Em pelo menos 14,8% das ocorrências, outras pessoas também são atingidas durante os ataques.
Outro dado mostra que a taxa de mortes cai para 32% quando há testemunhas, que podem interromper a agressão ou agilizar o socorro.
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No Paraná, foram registrados 39 casos. Dois deles ocorreram em Londrina e devem ser julgados nos próximos dias, envolvendo episódios de extrema violência dentro do ambiente doméstico.
Segundo o Observatório, muitos casos apresentam indícios de premeditação, com agressores se aproveitando da confiança da vítima. Em alguns processos, a defesa tenta alegar acidente, mas os pesquisadores apontam que esse padrão não é o mais comum.
O levantamento também mostra que diversas vítimas possuíam medidas protetivas contra os agressores, mas ainda assim permaneciam em situações de risco.
Especialistas destacam que fatores sociais e culturais podem contribuir para a permanência de mulheres em relações abusivas, mesmo diante de sinais de violência.
O estudo reforça o alerta para o avanço da violência extrema contra mulheres e a necessidade de fortalecimento das redes de proteção e prevenção em todo o país.