A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, anunciou hoje que deixará a articulação do governo Lula (PT) para concorrer ao Senado pelo Paraná.
O que aconteceu
A pré-candidatura foi oficializada em conversa com o presidente Lula. O nome foi endossado pelo presidente do PT, Edinho Silva, na presença do presidente de Itaipu, Ênio Verri, nome antes cotado para a candidatura à Casa. Ele deverá tentar a reeleição como deputado federal.
Inicialmente, Gleisi pretendia concorrer à Câmara. Aliados da ex-presidente do PT diziam avaliar que, com o perfil conservador que o estado adotou nos últimos anos, uma candidatura como deputada seria muito mais fácil do que tentar voltar ao Senado, mas Lula se mostrou entusiasmado com a ideia.
A escolha bate tanto com a busca de Lula por palanques fortes quanto no foco no Senado. Com duas vagas abertas por estado neste ano, o presidente tem se preocupado de que a Casa se torne ainda mais conservadora e vire uma dor de cabeça, como já é a Câmara.
Gleisi cumpriu um mandato de senadora pelo Paraná, entre 2011 e 2019. Com a Operação Lava Jato, a prisão de Lula e o crescimento do bolsonarismo no estado, terra também do então juiz Sergio Moro, ela assumiu a presidência do PT, mas optou por concorrer à Câmara, onde saiu vitoriosa.
Por outro lado, já se espera que as dificuldades com o Congresso acabem logo. Como em todo ano de eleições gerais, as atividades do Legislativo deverão ficar praticamente suspensas com os parlamentares buscando reeleição ou novos cargos —o mesmo serve para o governo federal.
Ela é só um dos grandes quadros que deixarão o governo para concorrer à eleição. Pelo menos metade dos 38 ministros de Lula deverá sair de seus cargos no fim de março, data limite para descompatibilização, em busca de uma cadeira no Parlamento ou nos estados. Entre os palacianos, só deverá ficar Guilherme Boulos, que assumiu a Secretaria-Geral da Presidência no final do ano passado.