Uma menina de 12 anos relatou, em uma conversa com uma ferramenta de inteligência artificial, ter sido vítima de abuso pelo noivo da tia. O caso foi descoberto por uma familiar, que encontrou registros no celular da criança. O suspeito, de 22 anos, chegou a ser preso, foi solto em audiência de custódia e voltou à prisão após novo pedido do Ministério Público do Paraná.O caso aconteceu em São José dos Pinhais, na RMC.
A mãe afirma que começou a perceber mudanças no comportamento da filha antes da descoberta.
“Ela estava muito quieta, mais afastada, fechada no quarto. Não estava querendo comer, e ela é bem tagarela. Então, ela estava bem quietinha”, disse a mãe da vítima.
Familiar encontrou diálogo no celular
O caso foi descoberto depois que uma familiar encontrou registros da conversa da menina com a ferramenta de inteligência artificial no celular.
Eu tinha conversado com ela de manhã, e ela tinha me falado que não tinha nada para me contar. Quando eu peguei o celular dela, vasculhei tudo, fui na lixeira e encontrei um último print que estava prestes a expirar, inclusive dizendo que havia mensagens com conotação sexual para ela, enviadas do celular dele”, disse a tia da vítima.
De acordo com a delegada Anielen Magalhães, a criança também relatou ameaças caso contasse o que estava acontecendo aos familiares.
“A vítima relatava a situação de violência sexual e de ameaça, no contexto de que o agressor, o abusador, estaria ali causando um mal injusto, ameaçando fazer algum mal a essa criança caso ela contasse para os familiares a prática abusiva sexual que estava acontecendo no ambiente familiar”, disse a delegada Anielen Magalhães.
Suspeito foi solto e depois voltou à prisão
O suspeito, de 22 anos, chegou a ser preso logo após a descoberta do caso. Ele foi solto em audiência de custódia, depois que a Justiça e o Ministério Público do Paraná entenderam, naquele momento, que ele não representava risco à menina.
Dias depois, o Ministério Público do Paraná voltou atrás e pediu a prisão preventiva. A Justiça revisou a decisão e mandou o suspeito de volta à prisão.
A mãe da criança afirma que a prioridade agora é cuidar da filha e acompanhar o andamento do caso.
“Ele acabou com a vida da minha filha para o resto da vida dela. Ele tirou a infância da minha filha, e agora é cuidar dela, cuidar dela, mas sem perder o foco, até que a Justiça seja realmente feita e ele fique lá”, disse a mãe.
Caso acende alerta para famílias
Para o delegado Thiago Lima, que atua com crimes digitais, o caso serve de alerta para pais, familiares e responsáveis sobre a necessidade de acompanhar o uso da internet por crianças e adolescentes.
Segundo ele, mudanças de comportamento também devem ser observadas.
“Dar uma olhada no celular e em qualquer mudança de comportamento também é importante. Ficar atento é responsabilidade dos pais. Ela é um grande escudo para proteger as crianças e adolescentes em ambiente virtual”, disse o delegado Thiago Lima.