Por volta das 6h da manhã do dia 2 de outubro, a curitibana Pietra Silvestri, de 21 anos, acordava em pleno domingo para uma missão importante: colaborar com a democracia. Ela se voluntariou para ser mesária pela primeira vez. Mas seu propósito vai além de trabalhar nas eleições. A jovem com síndrome de Down quer mostrar à sociedade a importância da inclusão.
Ser voluntária nas eleições pareceu algo natural: "eu adoro ajudar as pessoas, acho bem legal", declara Pietra. Essa é a segunda votação que participa, a primeira foi em 2018, apenas como eleitora. "É importante saberem que eu voto e que sou cidadã", ressalta.
Para o segundo turno, Pietra planeja fazer uma capacitação para agilizar a busca pelos nomes das eleitoras e eleitores no caderno de votação. A decisão veio como resposta a algumas pessoas que pareciam impacientes quando a jovem demorava um pouco mais para encontrar os seus registros, em comparação a outras mesárias e mesários.
Ainda assim, Pietra se diz satisfeita. Foi um dia de muita dedicação e trabalho, e a missão foi cumprida com alegria. “Foi cansativo, mas valeu a pena”, afirma. “Para mim, foi bem importante participar porque não vemos muitas pessoas com Down nas eleições”.
Sucesso on-line
"Por favor escreva aí nos comentários se você já viu um jovem cidadão down como eu trabalhando nas eleições do seu estado e em que lugar foi isso?" pergunta Pietra em um post após a votação. Ela diz que não quer ser vista como "coitadinha". Estar presente na eleição significa exercer sua cidadania.
E é nas redes sociais que a jovem compartilha mensagens de inclusão e de combate ao preconceito, colecionando seguidores. São 500,6 mil no TikTok (@pietra.silvestri) e mais 5,5 mil no Instagram. Alguns de seus vídeos já foram vistos mais de 1 milhão de vezes na internet.
Pietra é atriz e modelo, com atuação em campanhas publicitárias de repercussão nacional. Ela foi a primeira jovem com Down no Brasil a tirar registro profissional DRT em Teatro, ao concluir o ensino médio técnico no Colégio Estadual do Paraná (CEP). Desde bebê, conta orgulhosa a mãe, Noemi Rebello Silvestri, a menina estudou em escolas regulares reforçando a importância da inclusão.
Estatísticas
Entre as 8.475.632 pessoas aptas a votar no Paraná, 83.998 declararam ter algum tipo de deficiência, segundo o Portal de Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Houve um crescimento de 11,86%, comparado às Eleições Gerais de 2018, quando eram 75.092. Elas representam 0,99% do eleitorado paranaense.