Aos 70 anos, seu João Luiz recebeu esperança em forma de uma injeção. Ele é o primeiro paciente de Curitiba a receber a aplicação da polilaminina no Hospital do Trabalhador.
Seu João sofreu uma queda de três metros de altura, fraturou a coluna e ficou sem os movimentos abaixo da cintura. A aplicação faz parte de um processo chamado uso compassivo. Esse tipo de tratamento pode ser feito em até 90 dias após a lesão.
O programa é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e permite que pacientes com doenças graves tenham acesso a medicamentos ou terapias que ainda não têm registro oficial, mas que mostram possibilidade de benefício.
A polilaminina é considerada uma esperança para pessoas que sofreram lesão na medula e perderam os movimentos. No entanto, o tratamento ainda é experimental. No Paraná, oito pacientes já receberam a aplicação e seguem sendo acompanhados pelas equipes médicas, que avaliam os resultados.
A substância é um composto brasileiro desenvolvido a partir da laminina, uma proteína presente na placenta. Ela foi criada para ajudar na regeneração dos nervos após lesões na medula espinhal. Funciona como uma espécie de “andaime”, ajudando os nervos a crescer e se reconectar.
Estudos iniciais mostraram resultados animadores, com alguns pacientes apresentando recuperação de movimentos.
Enquanto os estudos continuam, seu João, mesmo sabendo que o tratamento ainda está em fase experimental, mantém a esperança de voltar a andar.