A Polícia Civil do Paraná indiciou por estelionato uma mulher de 37 anos sob a acusação de simular ser uma adolescente de 13 anos acometida por um câncer em fase terminal. O crime foi registrado no município de Colombo, situado na Região Metropolitana de Curitiba. A finalização do inquérito policial ocorreu após a suspeita ser detida no estado vizinho de Santa Catarina por praticar golpes utilizando o mesmo padrão de conduta.
A ocorrência em solo paranaense teve início ainda no ano de 2021, época em que a investigada se aproximou de participantes de um grupo de oração utilizando uma identidade falsa. Ao relatar histórias fictícias que envolviam abandono familiar, violência física, mortes de parentes e diagnósticos de saúde gravíssimos, ela sensibilizou os frequentadores da comunidade religiosa.
Comovidas com a suposta vulnerabilidade da jovem fictícia, as vítimas passaram a realizar campanhas de apoio emocional e a efetuar constantes ajudas financeiras. Uma investigação policial chegou a ser formalmente instaurada em dezembro de 2022, porém o processo acabou suspenso temporariamente pela falta de elementos que pudessem identificar a verdadeira autoria das ações.
Prisão em Santa Catarina e reconhecimento das vítimas
As apurações no Paraná foram reabertas em junho deste ano, logo após a mulher ser presa em flagrante na cidade de Joinville (SC). Na localidade catarinense, ela utilizava o mesmo método de aproximação: convenceu moradores locais de que era uma criança com autismo que havia fugido de um histórico de maus-tratos familiares na região Norte do país, chegando a residir temporariamente na casa de uma das vítimas.
Ao tomarem conhecimento do caso pela mídia nacional, testemunhas paranaenses conseguiram identificar a suspeita por meio de:
Timbre e entonação de voz;
Padrão das histórias de violência contadas;
Comportamento infantil simulado.
Com a conclusão do indiciamento por parte das autoridades policiais paranaenses, o inquérito concluído segue agora para a apreciação do Ministério Público do Paraná (MP-PR), órgão responsável por avaliar a abertura de uma ação penal contra a acusada perante o Poder Judiciário.