Paraná

PF bloqueia R$ 1,5 bi em ação contra extração ilegal no Paraná

24 set 2026 às 21:03

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (24/9), em Guaíra (PR), a Operação Areento de Ouro, que apura a extração ilegal de areia no leito do Rio Paraná e resultou no bloqueio de cerca de R$ 1,5 bilhão em bens de pessoas e empresas investigadas.


Mandados e cidades alvo da ação

A operação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e medidas constritivas em dez municípios do Paraná, incluindo a região de Guaíra. Os policiais atuaram em sedes de empresas, depósitos de areia e endereços ligados aos suspeitos, com foco em interromper a atividade econômica associada ao esquema.


As investigações identificaram dois grupos que, segundo a PF, atuavam na extração sem autorização e no subfaturamento das vendas do produto. O volume retirado ilegalmente do rio ultrapassa 6,8 milhões de toneladas de areia, comercializadas com apoio de estruturas empresariais usadas para dar aparência de legalidade aos negócios.


Crimes investigados e bloqueio bilionário

De acordo com a corporação, os fatos apurados podem configurar crimes contra o meio ambiente, usurpação de bem público, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Há ainda indícios de que parte das operações tenha caráter transnacional, o que amplia o alcance da investigação.


O inquérito policial tramita sob sigilo na 1ª Vara Federal de Guaíra, que determinou o bloqueio de bens e valores de até aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A medida busca garantir futuro ressarcimento aos cofres públicos e eventual reparação de danos ambientais, caso haja condenação dos envolvidos.


Riscos ambientais e impacto econômico

A areia retirada de rios é insumo essencial para a construção civil e movimenta um mercado de alto valor, especialmente em regiões de fronteira como a do Rio Paraná. Quando a atividade ocorre sem licença e controle, aumenta o risco de desequilíbrio ambiental e de perda de receita tributária para o Estado.


A extração irregular tende a provocar erosão nas margens, alteração do curso natural das águas e impactos sobre a fauna aquática. Ao apontar suposta atuação de organização criminosa nesse segmento, a investigação da PF mira não apenas a prática ambientalmente danosa, mas também a estrutura financeira que sustentaria o negócio ilícito.

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