Paraná

Programa de entrega de bebês tenta evitar abandono

08 ago 2018 às 09:16

O caso da recém-nascida abandonada numa lata de lixo no Terminal Urbano Central de Londrina na última sexta-feira (3) despertou sentimentos variados na opinião pública. Esse crime poderia ter sido evitado por meio de um programa que existe em todo país, ligado ao poder judiciário, chamado entrega legal.

Conceber um filho pode ser realização de um sonho, mas para algumas mulheres pode ser também um pesadelo. Uma gravidez não planejada, uma criança indesejada, motivo de desespero.

A história da recém-nascida encontrada no banheiro do terminal central, numa sacola dentro do lixo, se espalhou rápido. Ainda não se sabe realmente como e por quê. Para uns, indignação e revolta. Para outros, causou comoção. A menina, chamada de Sara na Maternidade Municipal, aos poucos vai ganhando peso e se recuperando. A mãe ainda não foi identificada. Ela pode responder por abandono, que é crime, como explica a juiza da Vara da Infância e Juventude, Isabele Noronha.

Justamente para evitar o abandono e adoções ilegais, existe um programa em todo o país chamado Entrega Legal. Desde julho de 2015, 34 gestantes foram acompanhadas em Londrina. Dessas, onze entregaram espontaneamente a criança, uma decisão que não tem volta. Daí a importância do trabalho de assistentes sociais e psicólogos, como a Josani Campos.

Em caso de entrega legal, rapidamente o bebê é encaminhado para uma nova família. Só em Londrina são 225 pessoas na fila de adoção. Algumas esperando há mais de 6 anos. Todas passaram por uma seleção e foram consideradas habilitadas para receber um filho ou filha.

A entrega legal é totalmente dentro da lei. Para a juíza da Vara da Infância e Juventude, para garantir a vida e o futuro de crianças indesejadas, falta informação e conscientização.

(Reportagem: Luciane Miyazaki/ Valdemar Loredo)

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