Operários da obra de reconstrução da PEL 2 trabalhavam sem registro em carteira, com salários atrasados e alojados em condições precárias. O alojamento é na verdade uma casa no Jardim santa Joana. Os colchões são bem velhos e estão danificados. A cama foi feita com pedaços de madeira, por eles mesmos, para não dormir no chão, a geladeira está vazia. O arroz e o feijão vieram de doação. Essa é a situação de operários contratados na cidade de Imbaú, a quase 200 km de Londrina, para trabalhar na reforma da PEL 2, parcialmente destruída durante uma rebelião em 2015.
Parte do grupo não aguentou e voltou pra casa. Restaram 6. Todos dispensados há cerca de 2 semanas, com os salários atrasados e sem o registro em carteira. Há quem não tenha recebido o pagamento integral nem de junho. A responsável pelas obras na PEL 2 é a Servo Construções Civis, de Maringá. Com o aditivo, o contrato de R$ 2,4 milhões vai até janeiro de 2019. Já foi pago r$ 1,7 milhão. Numa reunião no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário, o representante da empresa alegou não ter condições de fazer o acerto dos trabalhadores e nem de arcar com a manutenção deles.
Pelas contas do sindicato, sem multas ou dano moral, a dívida chega a R$ 80 mil. O juiz do trabalho Mauro Paroski determinou o bloqueio de créditos da construtora no valor de R$ 135 mil. Determinou ainda uma fiscalização do Ministério do Trabalho e intimou a PEL 2 a enviar os comprovantes de entrada e saída dos trabalhadores. Tudo o que eles querem é receber e poder voltar pra casa. Só de diárias atrasadas, o trabalhador José Anastácio tem R$ 2,7 mil. Sem contar os 10 dias em que o filho ficou trabalhando e foi embora sem um centavo.
Reportagem: Luciane Miyazaki.